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Número 818,

Tecnologia

Internet

A cobrança por clique é viável?

por Felipe Marra Mendonça publicado 24/09/2014 04h06
Site holandês inova no acesso a periódicos e atrai público jovem
Steve Rhodes/Flickr
Digital Media

A sobrevivência da imprensa na era digital é uma das maiores preocupações em redações mundo a fora

A sobrevivência da imprensa na era digital é uma das maiores preocupações em redações pelo mundo afora, mas um serviço holandês parece oferecer uma saída interessante para o problema. O Blendle, fundado em abril deste ano, reúne todos os jornais e revistas da Holanda em um só website. Cada usuário que se cadastra recebe um crédito de 2,50 euros que pode gastar em qualquer artigo que quiser, ou seja, não é preciso assinar todo o conteúdo de uma revista ou jornal e não é preciso lembrar de diferentes senhas para diferentes sites noticiosos.

Cada artigo custa entre 10 e 80 centavos de euro e assim que o usuário clica em qualquer artigo o pagamento é feito automaticamente. Caso não goste do conteúdo, o montante é retornado imediatamente. O sistema sempre pede para o leitor apontar a razão pela qual o artigo foi devolvido, e Alexander Klöpping, um dos fundadores, explicou que boa parte das pessoas devolve artigos que eles julgam ser muito pequenos pelo preço pago.

Acabados os créditos iniciais, o leitor coloca mais crédito na sua conta e pode continuar a usar o serviço normalmente. O serviço já possui 100 mil assinantes, e 20% de todos os clientes passam a pagar por artigos depois que os créditos grátis terminam. Tendo em vista que a Holanda é um país de cerca de 16 milhões de pessoas, o número não é insignificante.

O interessante é que o Blendle também é uma espécie de rede social onde cada leitor compartilha o que está lendo com outros amigos e seguidores. Além disso, curadores especiais designados pelo Blendle, como políticos e jornalistas, também fazem sugestões de leitura. Tudo pode ser compartilhado pelo Facebook ou pelo Twitter.

Talvez o mais promissor para os descrentes do modelo de pagamento por conteúdo é que mais da metade dos usuários do Blendle tem menos de 40 anos, o que seus criadores garantem ser um bom indicativo de que os mais jovens pagam por um serviço bem pensado e que também quer dizer que os tradicionais modelos de assinatura não estão sendo danificados pelo novo sistema. Existe espaço para as duas coisas, um modelo tradicional de assinaturas e vendas em banca e outro que funciona como uma loja universal de conteúdo. É um futuro bem curioso.

*Reportagem publicada originalmente na edição 818 de CartaCapital, com o título cobrança por clique

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