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Número 815,

Tecnologia

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O novo táxi

por Eduardo Graça — publicado 10/09/2014 04h36
O sucesso do aplicativo Uber atrai críticas sobre segurança e regulação do serviço
Arte: CartaCapital
Uber

A corrida sai até 40% mais barata

Apontado como uma das maiores revoluções no transporte urbano – o aplicativo criado em 2009 pode ser baixado em 45 países e 170 cidades, inclusive Rio e São Paulo –, o Uber, que conecta via smartphone passageiros a motoristas profissionais, é avaliado em 4 bilhões de dólares e acaba de anunciar a contratação do estrategista político David Plouffe para o posto de vice-presidente sênior de política e estratégia. Em seu primeiro encontro com a imprensa, o mago por detrás da inovadora campanha presidencial de Barack Obama em 2008 definiu seu novo pouso: “O Uber faz o transporte público ficar mais seguro, ao mesmo tempo que gera mais empregos, diminuindo o número de acidentes causados por motoristas alcoolizados”.

Motoristas de táxi discordam. Em junho, um gigantesco protesto parou o tráfego das grandes capitais europeias. Para se conseguir uma licença de táxi em Londres, o motorista precisa passar em um teste duro. No Uber, o “chofer” precisa apenas ter uma carteira de motorista profissional e estar em dia com o seguro do veículo, do tripulante e dos eventuais passageiros.

Para utilizar o sistema, o usuário baixa o aplicativo, escolhe entre o serviço mais caro, o UberBlack, com carros mais luxuosos, ou o UberX, com automóveis populares, e vê, na tela do celular, o rosto e o nome do “chofer”. O preço do UberX chega a ser 40% mais barato do que um táxi convencional. O pagamento, calculado antes da corrida, é via cartão de crédito, com recibo digital.

A empresa  foi acusada recentemente de oferecer vantagens desleais para “choferes” trocarem serviços rivais pelo da Uber. Na Europa, enquanto líderes sindicais protestavam e se debruçavam sobre qual órgão deveria fiscalizar o Uber, a empresa ofereceu descontos de até 50% no dia da greve.

Em Nova York, a federação dos táxis amealhou 11 violações que acredita serem cometidas pelo Uber. O vereador James Vacca iniciou uma investigação “para evitar que se crie um sistema duplo de serviço de táxis”.

Em Berlim, o Uber precisou de uma liminar depois que a Justiça suspendeu seus serviços por “não cumprimento dos padrões de segurança de serviços de transporte de passageiros”. No Rio e em São Paulo, secretarias municipais de Transporte investigam o serviço. Na noite de ano-novo, um motorista afiliado ao Uber atropelou uma família em São Francisco e matou uma menina de 6 anos. A tragédia gerou uma batalha judicial sobre se a empresa deve ou não pagar indenização à família. Como o motorista não foi acionado por um usuário, a Uber diz que ele apenas dirigia seu carro.

Plouffe, que atacou o “cartel do táxi, avesso ao progresso tecnológico”, tem por aliados os usuários felizes com a libertação dos serviços convencionais de táxi. Uma das próximas iniciativas do Uber deverá ser o táxi compartilhado e o executivo precisará descobrir a maneira mais suave de encaixar o Uber em um regime de fiscalização e taxação pública. A contratação do lobista mais bem relacionado de Washington reflete o tamanho da ambição da empresa.

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