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Número 815,

Sociedade

Cariocas

Apologia do Arpoador

por Carlos Leonam — publicado 30/08/2014 02h20
A paradisíaca ponta entre as orlas cariocas ganha um belo álbum
Carlos Leonam
Arpoador

Arpoador em 1958: o melhor lugar para assistir ao pôr do sol, sempre

No rio, qual foi a sua praia preferida? Quando escrevo “praia” quero me referir aos postos de salvamento, da orla de Copacabana ao Leblon, que marcavam (e marcam) os trechos preferidos pelos moradores ou que estavam na moda – por exemplo, os Postos 4 e 6, na Avenida Atlântica, nos anos 50.

Lá, então, era o território de Heleno de Freitas, dos rapazes do Clube dos Cafajestes, dos craques do futebol de areia, dos ricaços (como o tycoon Assis Chateaubriand) que viviam nos belos casarões que deram lugar aos arranha-céus da especulação imobiliária. Sem falar no arrastão, a rede puxada pelos pescadores da colônia ao lado Forte – e pela garotada que chegava mais cedo só para participar daquela festa matinal.

Dividindo essas orlas, que até hoje encantam nativos e forasteiros (fico imaginando a cara de Vespúcio quando deu com essas praias...), temos algo único, paradisíaco: o Arpoador. Ou, melhor, a Ponta do Arpoador, de onde arpoavam baleias e arraias-jamantas, entre o costão do Forte de Copacabana, com a violenta Praia do Diabo, e o meio quilômetro de areia, até o início da Praia de Ipanema propriamente dita.

Escrevo estas mal traçadas linhas por causa do álbum que o editor Carlos Leal acaba de lançar, com maravilhosas fotos de Frederico Mendes e textículo de Gilberto Braga: (Arpoador, Editora BarLeu, 161 páginas, R$ 80). Trata-se de uma apologia, da pictórica história de amor de um lugar onde talvez o Rio seja mais carioca.

É do Arpoador que “todo mundo”, principalmente no solstício de verão, a 21 de dezembro, vai ao pontão ver o astro rei ir embora, aplaudindo esse cotidiano espetáculo de cor, como disse Millôr Fernandes, que mereceu (e como!) uma praça ali, “o pôr do sol é de quem olha”. E é mesmo, desde que, no verão de 1970, nós, então no trecho da Montenegro (hoje Vinicius de Moraes), aplaudimos o supradito sol, depois de um dia fantástico, alguns diriam, “de exportação”. Prometo voltar ao assunto, pois a lenda do Arpoador não acaba aqui. Os surfistas que o digam.

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