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Número 814,

Cultura

Artes plásticas

No centenário de Lina Bo Bardi, livro e mostra promovem reflexão sobre seu legado

por Orlando Margarido — publicado 23/08/2014 07h08
Iniciativas surgem para reafirmar o talento e a herética versatilidade da artista
Lew Parrella
Lina Bo Bardi

Lina no Masp em construção, herética versatilidade

É da heresia em aparência aristocrática, de uma elegância em farrapos e da subversão em meio ao luxo de que nos fala o arquiteto e teórico italiano Bruno Zevi sobre Lina Bo Bardi, sua compatriota e colega de ofício. Havia razões além da arquitetura a conectar esses parceiros e o pensamento da arte era uma delas quando fundaram uma revista cultural em 1945, um ano antes de ela se casar com Pietro Maria Bardi e emigrar com ele ao Brasil.

A partir daí a história do casal e especialmente de Lina costuma ser ligada a feitos grandiosos, ele no garimpo de uma coleção de arte internacional digna da metrópole paulistana que crescia, ela preocupada em reorientar o desenho tortuoso do progresso, inclusive com o espaço de abrigo à conquista do marido.

Mas se o Museu de Arte de São Paulo ou o Sesc Pompeia reerguido de uma fábrica são modelares  desta empreitada, não consumam tudo. No ano de centenário de Lina, iniciativas surgem para reafirmar o talento e a herética versatilidade.

Abrangência arquitetônica esta que pretende sintetizar o belo volume Lina Bo Bardi – Obra construída, de Olivia de Oliveira, que ao fim traz entrevista com a arquiteta seis meses antes de sua morte. Ali são revisitados projetos como a Casa de Vidro, residência do casal em São Paulo, e o Teatro Oficina. Mas para além da prática da edificação há ainda a artista e designer e uma das primeiras elegias à memória dessas atividades ocorre no Museu da Casa Brasileira.

Maneiras de Expor – Arquitetura expositiva de Lina Bo Bardi dá conta da trajetória de sua idealização em desenhos, organização e a procura de sentido moderno das exposições no País. Croquis, documentos, fotografias, cartazes e maquetes refeitas reeditam as ambientações de mostras de referência como Caipiras, Capiaus – Pau a Pique e Bahia no Ibirapuera, esta simbólica da passagem da arquiteta por Salvador no fim dos anos 1950, quando restaura o Solar do Unhão.

Maneiras de Expor – Arquitetura Expositiva de Lina Bo Bardi
Museu da Casa Brasileira, São Paulo
Até 9 de novembro

Lina Bo Bardi – Obra construída
Olivia de Oliveira, com fotos de Nelson Kon
Instituto Lina Bo e P. M. Bardi
256 págs., R$ 140