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Número 813,

Sociedade

Cariocas

E assim passaram os anos...

por Carlos Leonam — publicado 16/08/2014 08h52
Histórias dessas últimas décadas e um livro para entender melhor o futuro
Carlos Leonam
Didi

Didi, sobre Di Stefano: o treinador proibiu o vinho, o craque mandou servir para todos os jogadores

Cartacapital completa 20 anos de vida editorial e este escriba 18 anos de colaboração, desde que, em 1996, ligou para Mino Carta, dando os parabéns, quando a nossa revista passou a circular quinzenalmente.

Mas ousei dizer: “Mino, a revista continua ótima, mas continua também muito paulista”.

Ao que nosso fero poderoso chefão respondeu: “Por que você não pega e faz uma página carioca, não necessariamente sobre o Rio?”

Foi assim que comecei a escrever a coluna Planeta Rio, que, anos depois, passou a se chamar Cariocas / Quase Sempre. Em 2002, ganhei a valiosa parceria de Ana Maria Badaró, que dividiu comigo a tarefa de escrever estas linhas. Badaró foi embora e aqui estou eu ainda duas vezes por mês.

Nesses anos todos, abordei assuntos do dia a dia e outros nem tanto: uma viagem inesquecível ao Alasca; a Copa do Mundo de 98, na França; várias provas da F1, ao tempo em que a Petrobras fornecia sua gasolina para a equipe Williams; os palpitantes testemunhos de Lucas Mendes e Edney Silvestre, quando o World Trade Center foi derrubado, em 2001; uma viagem à Croácia, falando sobre o novo país, depois do fim da Iugoslávia e a terrível guerra com a Sérvia...

Falei, também, nas colunas escritas durante e depois da Copa do Mundo, sobre a definitiva entrada do futebol/soccer no coração dos torcedores norte-americanos, a ponto de, outro dia, mais de 109 mil irem ver em Michigan (!!!) uma partida amistosa entre o United, de Manchester, e o Madrid de Cristiano Ronaldo – num Meio-Oeste que não prima por ter habitantes latinos.

 

A propósito do violento esporte bretão, me lembrei de uma história que Didi,  o Monsieur Football da Copa de 58, me contou lá se vão 54 anos, ao ler semana passada o manual que o Barcelona distribuiu entre os seus jogadores, com as normas e comportamento a serem seguidos pelo elenco. Queria ver se esse manual durasse, se Di Stefano vivo estivesse e jogasse no Barça.

Mestre Didi: “O dono do time era Di Stefano, que não deixava Kopa e eu batermos faltas, sempre mandando o Gento cobrar. Leonam, para V. ter uma ideia do poder dele, quando Fleitas Solich chegou como técnico do Madrid, foi logo proibindo vinho nas refeições. Pois no primeiro almoço, Di Stefano mandou os garçons recolherem a água mineral, dizendo: ‘Vinho. Fomos campeões da Espanha e da Europa tomando vinho e vinho vamos continuar tomando’. Don Fleitas pouco durou.”

Acho que Millôr Fernandes, autor do genial The Cow Went to the Swamp/A Vaca foi pro Brejo, “dicionário” em que traduziu, ao pé da letra, expressões do Português Brasileiro para o Inglês, gostaria de ler o dicionário de Inglês/ Nordestinês que está rolando na internet: What Hell is That? – Diabéisso?; No Thanks... – Carece Não...; Very Good – Danado de Bom; Come to Me, Baby – Bora, Tonha. E por aí a coisa vai. Como o catedrático da Universidade do Méier, realmente. “Inglês pra mim é Grego.”

Por fim, a propósito da tragédia do Oriente Médio. A Nova Fronteira bem que podia reeditar um livro, traduzido do francês, chamado O Sangue de Israel, de Saint-Loup (pseudônimo, claro). Conta a história de um menino que sobreviveu ao gueto de Varsóvia, foi para Israel, em 1948, e, em 1967, na Guerra dos Seis Dias, como soldado, ajudou a praticar contra os palestinos (os judeus-não judeus, de que nos falou Isaac Deutscher, sobre ele mesmo; os judeus de esquerda e que nascem na Terra Santa) o mesmo que havia sofrido dos algozes nazistas. O romance ainda pode ser encontrado na internet.

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