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Número 812,

Cultura

Cinema

Amor em 'Meteora' pinta retrato metafórico da resistência

por Orlando Margarido — publicado 10/08/2014 09h17
Longa grego de Spiros Stathoulopoulos apresenta a paixão que nasce entre um jovem monge e uma freira que habitam monastérios vizinhos
Divulgação

A beleza e a crueza convivem no estrito mundo apresentado por Meteora, filme grego de Spiros Stathoulopoulos. Para a primeira noção o diretor vale-se, por exemplo, da tradicional arte dos ícones da religião ortodoxa e dos cantos bizantinos para representar o universo dos jovens protagonistas, um monge e uma freira que habitam monastérios vizinhos e se apaixonam. No entorno ermo e montanhoso, onde são necessários expedientes como usar cordas e cestos para subir pessoas e comida, sobrevivem rituais que contrastam na natureza primitiva e selvagem, já que ali se sugere tratar-se da atualidade. É o caso mais explícito o cabrito morto com o qual o jovem vai montar um banquete e conquistar a amada.

Esses são os adereços de um filme, assim como a animação utilizada para representar o imaginário de culpa do casal de noviços, de refinado e lento contar, pois o tempo ali também é outro e se mostra como que suspenso. No centro dramático está a questão de uma paixão proibida e a descoberta da sexualidade transformada em um sentimento de entrega desesperador. Não deixa de ser sintomático vir de um país em crise, cujo cinema tem se valido de uma representação direta das dificuldades, um retrato metafórico da resistência. Nesse sentido talvez o filme alcance o conflito mais belo e elevado.


Meteora
Spiros Stathoulopoulos