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Número 809,

Política

Eleições 2014

O fogo amigo do PT

por Redação — publicado 19/07/2014 08h42
Uma parte do partido aproveita-se do desejo da mídia de enfraquecer Franklin Martins
Valter Campanato/ABR
Franklin Martins

O ex-ministro Franklin Martins é alvo de picuinhas

O jornalista Franklin Martins nunca teve a mais pálida sombra de dúvida de que seria alvo constante da mídia durante a campanha eleitoral. Seus “pecados”, na visão dos grupos de comunicação, são imperdoáveis. Quando ministro, ele mudou a distribuição de verbas publicitárias do governo federal, em favor de jornais, rádios e tevês regionais. Aquelas cinco famílias que formam um oligopólio perderam um pedaço do quinhão. No fim do segundo mandato de Lula, deixou pronto um projeto de lei de comunicação de massa, cada vez mais necessário, dadas as transformações tecnológicas em curso. Seu “erro” foi ter conduzido esse processo de forma democrática, em debates públicos, e não a portas fechadas com os barões do setor. Por fim, Martins perfila-se entre os críticos consistentes do comportamento da mídia brasileira e seu esforço sem escrúpulos para combater qualquer tipo de mudança a favor da maioria.

Dos meios de comunicação, portanto, o ex-ministro deve esperar tudo. Espanta é o “fogo amigo”. Houve de fato uma divergência com Dilma Rousseff. A presidenta não teria gostado de um texto publicado no site Muda Mais com críticas à organização do futebol brasileiro. Ou melhor, à CBF presidida por José Maria Marin. Nada que não seja dito diariamente em qualquer boteco Brasil afora, registre-se. Por meio de emissários, ela teria sugerido a retirada do texto. Martins resistiu (a crítica continua no ar). O site acabou desvinculado da campanha (agora, quando alguém digita a palavra “muda mais”, é automaticamente direcionado para o site oficial da candidata). Nada sugere, por ora, um rompimento.

Não escapou, porém, da percepção de integrantes do comitê eleitoral o esforço de alguns próceres do PT em alimentar o noticiário contra o ex-ministro. Martins incomodaria por não ser “petista de carteirinha”. Além do mais, neste início de campanha, integrantes do partido ensaiam repetir a luta fratricida por poder que quase provocou um desastre de proporções homéricas em 2010 – basta se lembrar do suposto dossiê contra Serra. Não se deve negar a fome insaciável de muitos companheiros por espaço. O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, por exemplo, é conhecido por nunca dormir no ponto.

*Reportagem publicada originalmente na edição 809 de CartaCapital, com o título "Interesses comuns"