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Número 807,

Sociedade

Copa do Mundo

O futebol conquista a América

por Carlos Leonam — publicado 06/07/2014 09h29, última modificação 06/07/2014 09h58
Com o sucesso da seleção americana na Copa, o soccer parece finalmente ter criado seu espaço na terra onde o footbal se joga com as mãos
FRANCISCO LEONG/AFP
EUA-soccer

O sucesso de estrelas como o goleiro Tim Howard aumenta a popularidade do esporte nos EUA

No momento em que escrevo, a seleção americana de futebol ainda não entrou em campo, em Salvador, para tentar vencer a Bélgica e se classificar para as quartas de final da Copa do Mundo de 2014.  Ou seja, a equipe ianque poderá já ter sido despachada de volta para casa. Ou não.

Nenhuma das hipóteses, entretanto, interfere no fato de que o Football Association (donde a palavra soccer para identificar o único esporte de âmbito global) finalmente “pegou” na terra de outro esporte lá conhecido como futebol, só que jogado com as mãos (no único momento em que alguém chuta uma bola é por ocasião de estranho pênalti/tiro de meta, batido depois do gol lá deles).

No século passado, o soccer foi jogado para escanteio, até que, nos anos 70, empresários resolveram investir. Para isso, não fizeram por menos: fundaram também o New York Cosmos e, em 1975, contrataram Pelé como seu astro principal. E ainda levaram para lá nomes como Beckenbauer, Carlos Alberto Torres, Cruijff, num total de craques de 16 países.

Foi no fim daquela década que passei uma tarde conversando com Pelé no seu escritório na Warner Communications, dona do Cosmos. O assunto principal foi uma tentativa de responder à pergunta “E daí?” Ou seja, qual seria o futuro do futebol nos EUA. Resumindo, deixo a palavra com Pelé:

“A estrada está aberta, sabe? Mas o futebol seguirá um caminho complicado. Acredito que, até o início do próximo século, o soccer já estará consolidado e bastante popular, embora longe do sucesso dos outros esportes que os americanos gostam. Eles farão uma Copa do Mundo, que colocará o futebol nos meios de comunicação. Passarão a ter uma seleção com bons jogadores e não me espantarei se conseguirem ganhar uma Copa até meados dos anos 2 mil”.

Na Copa de 2014, os jogos da seleção americana estão com audiência superior às finais do futebol americano, do basquete e do beisebol. A partida entre EUA e Portugal foi vista por mais de 18 milhões de espectadores, disse a ESPN. Já pela rede latina Univisión, mais de 6 milhões. Dois recordes.

O jornalista Lucas Mendes, que acompanhou a saga do Cosmos e de Pelé, acha ainda que é impossível calcular o tamanho do sucesso do futebol nos EUA. Em todas as grandes cidades, milhares de torcedores se reuniram para ver os jogos em telões. Em Nova York, bares e restaurantes ficaram cheios de gente diante das tevês. Nunca antes naquele país, o soccer mereceu tanto espaço na mídia: na televisão aberta, as redes abriram seus jornais com a Copa; os tabloides colocam o Mundial em suas primeiras páginas; a rede pública tem feito reportagens preciosas; o New York Times e o Los Angeles Times abriram espaço diário na primeira página do jornal impresso e nas de suas edições virtuais; e a Forbes diz que há milhões de dólares jorrando em campos até agora inférteis.

Diante disso tudo, descobriram agora que o futebol/soccer tem 43% do mercado esportivo (roupas, ingressos, direitos de transmissão, publicidade). E que o futebol americano tem 16%, o beisebol 15%, golfe e tênis 5% cada. O futebol “pegou”, mas ainda bate na trave no país mais rico do mundo. Imaginemos quando a China e a Índia entrarem em campo à vera.

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