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Número 806,

Saúde

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Pneumonia da comunidade

por Drauzio Varella publicado 28/06/2014 05h29, última modificação 28/06/2014 05h48
Antibióticos via oral, urgência no tratamento e eventual internação. Mas o diagnóstico desse tipo de pneumomia não é fácil

Pneumonia é a principal causa de morte por doenças infecciosas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, morrem da doença perto de 3,5 milhões de pessoas por ano. Nos que sobreviveram a pneumonias graves, que exigiram hospitalização, a mortalidade aumenta nos anos seguintes, mesmo no caso dos mais jovens, previamente saudáveis.

O diagnóstico das pneumonias adquiridas na comunidade é feito com base numa tríade: evidência de infecção (febre, calafrios e aumento do número de glóbulos brancos no sangue), sinais e sintomas respiratórios (tosse, secreção, falta de ar, dor torácica e ausculta pulmonar com ruídos característicos) e alterações radiológicas.

A apresentação, no entanto, pode ser atípica, sem febre nem tosse ou acompanhada de confusão mental, como ocorre nas pessoas mais velhas.  Em pacientes com câncer de pulmão, doença pulmonar obstrutivo-crônica ou insuficiência cardíaca congestiva, o diagnóstico nem sempre é fácil.

Ao contrário das pneumonias bacterianas hospitalares, aquelas adquiridas na comunidade podem ser tratadas com diversos antibióticos administrados por via oral: cefalosporinas de segunda ou terceira geração, macrolídeos e fluoroquinolonas são os mais recomendados pelas normas internacionais.

O tratamento deve ser iniciado o mais depressa possível. Intervalos de mais de quatro horas entre o aparecimento dos sintomas e o início da antibioticoterapia estão associados a aumento da letalidade.

Nos casos que evoluem com queda da pressão arterial, esse intervalo não deve ultrapassar uma hora. Um estudo realizado com pacientes nessa condição mostrou que, para cada hora de atraso, a mortalidade aumenta 8%.

A duração da antibioticoterapia nas pneumonias adquiridas na comunidade é de cinco a sete dias. Não há evidência de que tratamentos mais prolongados sejam mais eficazes, a menos que se trate de doentes imunodeprimidos.

Os exames laboratoriais para identificar o germe causador da pneumonia são de utilidade controversa na maioria das vezes, já que os antibióticos citados costumam levar à cura. As culturas, no entanto, são úteis nos casos em que há suspeita de imunodepressão, antibioticoterapia nos últimos três meses, hemodiálise, hospitalização prévia, uso de medicamentos que suprimem a secreção gástrica ou outros fatores de risco.

Existem diversos sistemas de escores para ajudar os médicos a decidirem se determinado caso pode ser tratado ambulatorialmente ou se necessita de internação hospitalar. Um dos mais empregados na prática é o CURB-65.

Esse escore atribui 1 ponto para cada uma das seguintes características do quadro pneumônico: a) confusão mental; b) ureia ≥ 20 mg/dL; c) frequência respiratória ≥ 30 movimentos/min; d) pressão arterial máxima ≤ 90 mm ou mínima ≤ 60 mm; e) idade ≥ 65 anos.

Quando o escore total for maior ou igual a 3, é preciso considerar a internação para observação mais cuidadosa, tratamento com reposição de líquidos e, eventualmente, antibioticoterapia de espectro mais abrangente.

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