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Número 806,

Cultura

Cinema

Humor negro é o diferencial da mais recente comédia francesa da safra

por Orlando Margarido — publicado 29/06/2014 06h23
Com clima macabro e nonsense, 'Uma Juíza sem Juízo', vencedora do Prêmio Cesar, aposta na fama de Albert Dupontel para atrair o público de seu país
Divulgação
Uma juíza sem juízo

SAndrine Kiberlain, bebedeira de ano-novo com humor negro

A peculiaridade do humor de Uma Juíza sem Juízo não chega a ser novidade no cinema francês e menos ainda aquele que imprime o traço irreverente ao filme. Albert Dupontel é uma estrela da comédia local e seu nome é, em boa parte, a explicação para os 2 milhões de espectadores conquistados na França.

O diretor também lota apresentações de stand-up comedy, situação que se alarga na bilheteria quando se trata de cinema, como acontece com esses profissionais por aqui. Dupontel escreve, dirige e atua. Acumula as funções no filme que ganhou estatuetas Cesar, o Oscar francês, de melhor roteiro e atriz para Sandrine Kiberlain. Nesse aspecto do prêmio, reverenciar um papel cômico com traquejo para o humor negro é um diferencial em relação aos similares nacionais.

Verdade que nem sempre a proposta é bem-sucedida nas repetições de algumas gags e tiques menos inspirados. Mas no gênero do absurdo não se mostra defeito incômodo.

Kiberlain interpreta a juíza em ascensão na carreira que na passagem do ano-novo cai na bebedeira. O que a fará lembrar do restante da noite é o teste positivo de gravidez meses depois, fato estranho à solteira sem parceiros. Descobrirá a relação fortuita com um ladrão preso pela acusação de uma morte brutal (Dupontel), a quem chega por expedientes do ofício.

Assumir o teor macabro, muito próprio do nonsense, e conduzi-lo com a sátira, ainda que leve, de instituições carrancudas como a justiça explica a boa acolhida ao filme.