Você está aqui: Página Inicial / Revista / Brasil - Recorde em homicídios / O disse-me-disse das Copas
Número 805,

Sociedade

Cariocas

O disse-me-disse das Copas

por Carlos Leonam — publicado 21/06/2014 09h07, última modificação 21/06/2014 09h23
Enquanto a bola rola no Mundial no Brasil cercada de intrigas, histórias do passado revelam o padrão de corrupção da Fifa
Carlos Leonam
Pelé

Até Pelé foi ameaçado pela ditadura a jogar na Copa da Alemanha

João Saldanha uma vez me disse que, se os torcedores soubessem o que está por trás de certas coisas aparentemente inexplicáveis do futebol mundial, nunca mais poriam os pés num estádio. De minha parte, quero aqui contar certos episódios que testemunhei, ou soube em conversas ao pé do ouvido. No momento em que escrevo, a Copa do Mundo “da Fifa” está rolando nos gramados brasileiros, cercada de revelações cabeludas, numa metralhadora giratória que atinge cartolas nacionais e internacionais, políticos, empresários e até ex-craques como Ronaldo, Michel Platini e Franz Beckenbauer.

- Em 1965, a CBD (hoje CBF) mandou um dirigente à Itália para arregimentar um conhecido juiz italiano. Ele seria o intermediário na cooptação de colegas europeus que apitariam a Copa do ano seguinte na Inglaterra. Fariam arbitragens, digamos, amigas, caso fossem escalados para partidas da Seleção Canarinho. Só que os ingleses, que não dormem de touca, descobriram a tramoia e colocaram juízes britânicos nos jogos do Brasil na fase classificatória.

- Na eleição para a presidência da Fifa, em 1974, os cartolas africanos e asiáticos, votantes, receberam completa atenção de recepcionistas, que foram belos e cativantes cabos eleitorais para a derrota de Stanley Rous.

- Pelé, que já se despedira da Seleção e passara a ser garoto-propaganda da Pepsi, foi pressionado, e até ameaçado, pela ditadura para voltar e jogar aquela Copa na Alemanha. Não jogou e foi colocado num limbo. Acabou exilado nos Estados Unidos, jogando pelo Cosmos.

- Em 1978, antes do jogo do Brasil com a Argentina, Havelange pediu licença ao general Videla, desceu da tribuna de honra até os vestiários. Queria saber “como estavam as coisas”. André Richer, chefe da delegação, informou-o que jogaríamos “pelo empate” (o que ocorreu). Havelange mandou-o dizer a Coutinho que tínhamos de jogar para ganhar, pois aquela partida era “a verdadeira final”. E foi mesmo, como sabemos.

- Em 1982, o juiz da partida Brasil x Rússia no ano anterior esteve no Rio, onde se encantou com as mulatas de Sargentelli, que animavam o show do Oba-Oba, em Ipanema. Depois do que se viu naquele jogo, Sua Senhoria foi afastada dos gramados da Copa na Espanha.

- Após a bela vitória sobre a Argentina, os jogadores brasileiros foram premiados com a licença de sair para comemorar. Apesar de o jogo com a Itália ser poucos dias depois. Bem, todo mundo sabe o que aconteceu em campo, mas não sabe que Toninho Cerezo vomitou no ônibus a caminho do Sarriá.

- Artemio Franchi, presidente da Uefa, no intervalo do jogo com a Itália, cumprimentou Havelange pela classificação do Brasil. O jogo estava empatado, o que levava o Brasil para as quartas de final. Contou também que os italianos estavam prontos para voltar naquela noite, tanto que sairiam direto do Sarriá para o aeroporto. Não podiam imaginar que o Brasil ainda confundia um torneio mata-mata com um campeonato de pontos corridos. Jogamos o tempo todo para ganhar, sem cair na retranca. Paolo Rossi se serviu.

- Na de 1998, ao que se disse em Paris, ficou combinado que a França ganharia aquela Copa e o Brasil a de 2002. Se non é vero...

registrado em: ,