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Número 804,

Política

Eleições

Que aliados...

por Redação — publicado 14/06/2014 12h17
O PMDB confirma o apoio à reeleição de Dilma Rousseff, mas promete cobrar muito mais caro desta vez
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Quanto custam pouco mais de dois minutos de tempo de rádio e tevê no programa eleitoral gratuito? Se eles pertencerem ao PMDB, caro, muito, muito caro, conforme fizeram questão de demonstrar os delegados do partido durante a convenção que homologou o apoio à reeleição de Dilma Rousseff e a manutenção de Michel Temer no posto de vice na chapa. O placar foi apertado: 59% a favor da aliança, 41% contra. Os governistas esperavam 80%.

Na convenção, vigorou o ressentimento. Embora tenha cinco ministérios, a Vice-Presidência e o comando das duas casas do Congresso, o PMDB reclama mais espaço no governo, maior poder de decisão na aliança e interlocução mais frequente com a presidenta. A legenda também se mostrou contrária a vários projetos do PT, entre eles a regulação econômica da mídia e a criação dos conselhos de participação popular, o novo fantasma emulado pelo conservadorismo.

Com o PMDB, Dilma fica mais perto de obter metade do horário eleitoral gratuito, espaço necessário para contrabalançar a oposição sistemática nos meios de comunicação. Essa articulação provoca, no entanto, um fenômeno estranho: chamado de governabilidade, ele alimenta mecanismos que sabotam o próprio ato de governar.

P.S.: Quanto a Marina Silva e Eduardo Campos, pergunta-se: o sonho acabou? O PSB vai apoiar a reeleição de Geraldo Alckmin em São Paulo, à revelia da posição de Marina. Segundo a ex-ministra, o acordo paulista não atrapalha a aliança nacional. Dessa forma, o PSB-Rede recorre ao velho modo de se fazer política.