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Número 804,

Cultura

Cinema

Longa cria equilibrado perfil da geração beat

por Orlando Margarido — publicado 20/06/2014 10h12
Centrado em Ginsberg, 'Versos de um Crime' retrata os movimentos iniciais desses escritores e seus perfis hedonistas
Divulgação
Versos de um crime

Encontro definidor. Ginsberg (Daniel Radicliffe), o poerta, e o frágil e sedutor Carr (Dane DeHaan)

Não é de hoje o fascínio do cinema pela geração beat e em maior e menor grau pela literatura produzida por seus integrantes nos anos 1950. O ponto de partida tem variado entre uma compreensão desses escritos e a liberalidade da vida de quem os escreveu.

Assim, Almoço Nu, de William Burroughs, ganhou boa adaptação com o título Mistérios e Paixões (1991), e Uivo, poema de Allen Ginsberg, teve sua importância seminal valorizada no homônimo de 2010.

Do caráter aventureiro e amoroso que tanto moldou a experiência desses jovens, o documentário Os Homens Que Eu Tive (Love Always, Carolyn, 2011) reencontra Carolyn Cassidy para falar do triângulo com o marido Neal Cassidy e o amante Jack Kerouac, enquanto Walter Salles tomou o livro mais célebre deste, e talvez do movimento, para realizar há dois anos Na Estrada.

Agora é a vez do filme Versos de um Crime, em cartaz, trazer um equilíbrio bem articulado entre o perfil hedonista e a obra dos beats, centrando-se em Ginsberg.

O título antecipa o tom policial do momento pinçado pelo diretor John Krokidas na trajetória inicial do poeta (Daniel Radcliffe, liberto de Harry Potter), quando ocorre um assassinato.

A visita de Ginsberg a um jovem na prisão, em meio a lembranças embaralhadas, lembra o início de Capote. A trama retorna e sabemos ser ele Lucien Carr (Dane DeHaan), jovem sedutor e frágil que a todos encanta no círculo da Universidade de Colúmbia, onde Ginsberg ingressa nos anos 1950 após deixar o pai poeta e uma mãe esquizofrênica.

O encontro é definidor igualmente por levar o novato a conhecer Burroughs, Kerouac e o estudante David Kammerer, pivô na relação entre Carr e Ginsberg. Este era homossexual, e não só suas primeiras experiências sexuais se darão ali, mas a influência das drogas e as trocas intelectuais serão decisivas para a estreia com Uivo. O expediente de mostrar o choque entre a formação pessoal e um desdobramento dela não é novo, mas resulta esclarecedor na coerência entre ambos.

Confira o trailer abaixo:

*Publicado originalmente com o título Formação beat na edição 804 de CartaCapital