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Número 802,

Cultura

Cinema

"Setenta" traz autocrítica da luta armada

por Orlando Margarido — publicado 31/05/2014 06h53
Documentário mostra a história do grupo de 70 presos políticos brasileiros enviado ao Chile em troca da libertação do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher
Divulgação

Setenta
Emília Silveira

Na revisão da ditadura natural neste momento e a que o cinema também procede, Setenta tem um diferencial imperativo. No documentário de Emília Silveira, em cartaz, o partido e a condução surgem tradicionais, mas não seu efeito. Há um retorno ao fato ocorrido em 1971, quando 70 presos políticos foram trocados pelo embaixador suíço Giovanni Bucher, alvo de sequestro por militantes, e enviados ao Chile presidido por Salvador Allende.

São 18 desses exilados os depoentes. Nas lembranças há desde autocríticas raras em filmes do tema, análises como a do ex-líder da UNE Jean Marc von der Weid e sua visão de um combate tão sanguinário que isolou o regime, dor sobre os companheiros suicidas, e mesmo humor. Em tom nada gratuito, ao contrário, revelador, as histórias da falsificação de passaportes e dos pais de seis filhos que partiram para pegar em armas conferem ao período sombrio uma graça jocosa só possível num olhar ao passado.

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