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Número 802,

Cultura

Calçada da memória

O imperativo trágico

por José Geraldo Couto — publicado 09/06/2014 08h39, última modificação 09/06/2014 08h43
As inspirações mais fecundas e duradouras para o cinema são as obras de Shakespeare e os mitos gregos
Divulgação
Calçada

Silvana Mangano e Franco Citti em Édipo Rei

Uma fonte de inspiração para o cinema tão fecunda e duradoura quanto os relatos bíblicos ou a obra de Shakespeare são os mitos gregos, especialmente os cristalizados nas esplêndidas tragédias de Sófocles, Ésquilo e Eurípedes. A mais antiga versão cinematográfica de tragédia grega de que se tem vestígio é o curta Édipo Rei, realizado na França, em 1910, por André Calmettes.

As adaptações dividem-se, grosso modo, em três tipos. O mais básico é o mero registro de uma encenação teatral. Talvez o mais antigo tenha sido o Prometeu Acorrentado filmado no anfiteatro de Epidauro por Dimos Vratsanos em 1928.

A adaptação mais comum é a “realista”, que encena o entrecho das peças em locais semelhantes aos da ação original. Estão nessa categoria, por exemplo, os filmes de Michael Cacoyannis, como Electra, As Troianas e Ifigênia, bem como a Antígona de Yorgos Javellas e o Édipo Rei de Philip Saville.

Mas talvez as experiências mais interessantes sejam as que o estudioso Kenneth MacKinnon chama de “metatragédias”, em que o texto grego é confrontado com a modernidade de várias formas, seja pela transposição da trama para a atualidade, como em Phaedra e A Dream of Passion, de Jules Dassin, seja pelo confronto do mito com as questões contemporâneas, como no Édipo Rei e na Medeia de Pasolini.