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Número 802,

Cultura

Cinema

Em "Anos Felizes", um mergulho na infância

por Orlando Margarido — publicado 01/06/2014 05h49
O diretor italiano Daniele Luchetti lança mais um filme centrado na questão dos laços familiares
Emanuela Scarpa / Divulgação
Anos felizes

Pela câmera, a consciência do mundo

Anos Felizes
Daniele Luchetti

Daniele Luchetti fez questão de realizar Anos Felizes, em cartaz, na versão 8 milímetros, depois transposta aos 35 mm. A visão de sua família que vivia aos trancos enquanto ele tentava crescer equilibradamente também é uma homenagem ao cinema, ao qual foi introduzido por uma câmera super 8 dada pela avó materna. No filme, o pai lhe traz de uma viagem. Há esta e outras liberdades na infância que o diretor italiano leva à tela com delicadeza, sem abrir mão da crueza. Sugere ser assim a memória desde que deixamos de ser crianças. Nem tudo se quer lembrar, muito pode ser imaginação.

É nesse vácuo das fantasias que procura sobreviver Dario (Samuel Garofalo), de 10 anos, durante a década de 1970, ao testemunhar os pais sempre às turras. Guido (Kim Ross Stuart), o pai, acredita ser um transgressor e busca o reconhecimento como artista plástico, fama que nunca chega. Serena (Micaela Ramazzotti) não entende a personalidade do marido, seu distanciamento da realidade, e o tolhe com o ciúme por ser também mulherengo. Em troca recebe a indiferença, e se refugia no interesse por uma galerista (Martina Gedek). Dario e o caçula são esteios da união, mas há um limite. Quem conhece o notável Meu Irmão É Filho Único e o filme seguinte La Nostra Vita sabe como a questão dos laços familiares é fundamental ao diretor. Aqui, apenas precisou estreitá-los com mais afeto e conhecimento de causa.

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