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Número 792,

Política

Dinheiro público

São Paulo, sócia de Maluf?

por Redação — publicado 22/03/2014 08h54
Com a transferência das ações na Ilha de Jersey, a prefeitura se tornaria acionista da empresa
Shutterstock e Ronaldo de Oliveira/D.Apress
Maluf

São Paulo S.A., entre Maluf e Haddad

Já imaginou Paulo Maluf e Fernando Haddad sócios da Eucatex? Essa possibilidade, considerada “bizarra” pelo promotor Silvio Marques, do Ministério Público de São Paulo, passou a existir depois do acordo do Deutsche Bank com a prefeitura de São Paulo e o MP para indenizar o município em 20 milhões de dólares, equivalentes a cerca de 47 milhões de reais, por ter recebido depósito de dinheiro público desviado na gestão do atual deputado federal. A sentença foi anexada aos processos contra o ex-prefeito e os próximos lances podem incluir a surpreendente união societária, como explica o promotor Silvio Marques nesta entrevista.

CartaCapital: Qual é a importância da sentença sobre a indenização?

Silvio Marques: É o reconhecimento de que o ex-prefeito foi corrompido, lavou dinheiro na Ilha de Jersey e o usou para comprar ações da Eucatex, empresa da família dele, como se fosse um investimento de fundos internacionais. Na verdade, era dinheiro subtraído da prefeitura investido na empresa da família Maluf.

CC: Há uma previsão para a recuperação?

SM: A última informação era de que
faltava julgar um recurso da família
Maluf para se decidir em favor da
adjudicação das ações. Caso a prefeitura
adjudique essas ações, ela se torna
formalmente sócia da Eucatex. Tem
direito a cerca de um terço dos 60% das ações da empresa, entre ordinárias, com direito a voto e preferenciais hoje em Jersey. Pode trazê-las ao Brasil e vender em um
momento de mercado favorável.

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