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Número 792,

Cultura

Cinema

Os dias cinzentos

por Orlando Margarido — publicado 24/03/2014 08h58
Um olhar geral sobre a produção referente ao período da ditadura vem agora na Mostra Silêncios Históricos e Pessoais, de 26 de março a 6 de abril na Caixa Cultural paulista
Divulgação
Cinema

Em "Busca de Iara" investiga a militância histórica'

Em Busca de Iara Flavio Frederico

Mostra Silêncios
Históricos e Pessoais
Caixa Cultural, até 6 de abril

Imagens da Ditadura
Cinemateca Brasileira, de 27 de março a 13 de abril

Em Busca de Iara, estreia da quinta 27, é um título simbólico não apenas para o caminho indicado no documentário pelo realizador Flavio Frederico e sua parceira no roteiro, Mariana Pamplona. Nele está contida, é certo, a proposta de investigação da figura central do filme, a militante Iara Iavelberg, que entrou para o painel histórico da luta contra a ditadura pelo engajamento armado e por ser mulher de Carlos Lamarca.

A ideia de busca expressa sobretudo um sentimento inerente a boa parte das recentes iniciativas de reflexão sobre o período por meio do cinema. Isso não ocorre somente no Brasil, onde o debate ganha impulso às vésperas de 31 de março, mas na América Latina em geral.

Um olhar geral sobre essa produção vem agora na Mostra Silêncios Históricos e Pessoais, de 26 de março a 6 de abril na Caixa Cultural paulista. Entre os 17 longas-metragens de diversos países, há títulos de veteranos dedicados a esse aspecto político. Um deles é o argentino Andrés di Tella, que exibe Fotografías. Na lista de filmes brasileiros, Os Dias com Ele, de Maria Clara Escobar, envolve um acerto entre pai e filha, no caso o filósofo Carlos Henrique Escobar, preso durante a ditadura. Diário de uma Busca (2010) tem prisma semelhante. A diretora Flavia Castro procura esclarecer a morte misteriosa do pai ocorrida no apartamento de um militar de Porto Alegre.

Aproxima-se nesse sentido do componente nebuloso da morte de Iara Iavelberg, que o filme tenta elucidar, dada como suicídio, mas com subsídios para se crer numa emboscada. Em ambos forma-se um retrato afetivo dos personagens, e não raro de confronto íntimo, pois Mariana Pamplona é sobrinha de Iara.

O tom motivador pessoal não era o partipris do cinema de urgência daquele momento. Sobre essa produção,  a Cinemateca Brasileira organizou um pequeno mas significativo ciclo acompanhado de mesas-redondas.

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