Você está aqui: Página Inicial / Revista / Como o PCC planeja dominar o Brasil / Sonho popular
Número 789,

Cultura

Exposição

Sonho popular

por Orlando Margarido — publicado 05/03/2014 05h08, última modificação 05/03/2014 09h30
A obra do surrealista Joan Miró ganha exposição na Caixa Cultural de São Paulo. Por Orlando Margarido
Alfredo Melgar
Miró

Miró com obra de Alexander Calder, clicado por Alfredo Melgar

A Magia de Miró
Caixa Cultural de São Paulo, até 20 de abril

Ninguém negaria que o universo onírico de Joan Miró (1893-1983) cabe na acepção maior ao conceito básico do surrealismo. Desse movimento o artista catalão obteve muito de sua técnica e inspiração, mas tanto quanto também dele se afastou para criar um repertório próprio. A mostra em curso na Caixa Cultural de São Paulo ajuda a compreender a razão de Miró permanecer nome de confluência com os surrealistas e desenvolver uma diversidade que não serve a um único rótulo. São 69 obras, entre pinturas, desenhos e litografias, além de 23 fotografias de autoria do conde Alfredo Melgar, proprietário da coleção, que conviveu com o artista e o retratou.

Nelas se dá um reconhecimento tão rápido quanto intrigante desse mundo construído a partir de elementos que se repetem, como estrelas, pássaros, mulheres, peixes e luas. A rapidez se deve ao fato de a arte de Miró ser uma das mais reproduzidas em escala comercial, ironia para um homem que se opunha à razão industrial e mecanicista das coisas, como lembra o historiador Giulio Carlo Argan em Arte Moderna. Nesse sentido opõe-se ao cubista Fernand Léger, de predileção por cones, cilindros e cores acinzentadas, e impõe uma noção de sonho e inconsciente que busca assinalar com traços de vermelho, azul e amarelo, cores tão básicas como as formas que dão o tom lúdico e lírico, também esses fatores condicionantes de uma simpatia pelo público. A mostra segue para Curitiba, Rio de Janeiro, Recife e Salvador.

registrado em: