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Número 789,

Cultura

Futebol e Carnaval

Carnaval, futebol e outras bossas

por Afonsinho publicado 02/03/2014 07h07, última modificação 03/03/2014 08h04
A maioria das escolas vêm de equipes de futebol. Começa sempre com uma bola, uma confraternização e logo a vontade de dançar
Agência Brasil
escola de samba

Primeiro dia de desfile das escolas de samba do grupo de acesso na Sapucaí

A intimidade entre o futebol e o samba vem de longe e se transforma com o tempo, como tudo, afinal. Boa parte das escolas de samba foi fundada a partir de times de futebol. Sempre naquela sequência: uma bola, uma confraternização entre amigos com direito a cervejinha, uma comida típica e logo a vontade de cantar e dançar. Daí para um bloco é um pulo. Mais um salto e eis que surge uma escola de samba.

Relembro da passagem que serviu para eu nunca marcar nem uma pelada sequer para o resto da vida sem uma confraternização, um tira-gosto que seja, bem acompanhado. Acontece que o futebol é um esporte de contato. Mesmo sem querer, e até querendo, as rusgas acontecem e a convivência depois da refrega “lava tudo”, a marchinha ensina mais uma vez.

O nosso caso deu-se na semana mesma em que eu havia sido julgado no caso do “Passe livre”. Eu havia me comprometido a jogar por um misto de juvenis e aspirantes do Botafogo, arrumado por um roupeiro ou massagista do clube contra o Cocota, clube de grande tradição para as bandas da Ilha do Governador. Fiquei embatucado entre ir e não ir, pois havia sido liberado do clube pela Justiça e voltava a envergar a camisa alvinegra por iniciativa própria. Como bom peladeiro e comprometido com os amigos, acabei indo.

Acontece que o pau quebrou, e justo comigo, numa disputa mais acirrada com o “xodó” do adversário, bem no lado da torcida deles. Dei uns pontapés, tomei uns cascudos e fui salvo pelos “empresários” do jogo, os mesmos massagista e roupeiro com seus parceiros do “inimigo”. O problema maior é que os torcedores tinham tomado as dores do seu craque. Eu me vi em palpos de aranha. Escapei de boa, mas o melhor foi depois a “sopa de siri”, que reuniu todo mundo e não deixou para trás nenhum ressentimento.

Conselho de amigo: quando travar qualquer partida, não abra mão da confraternização. Isso acaba com toda bronca que sempre pode ficar mesmo por mal-entendidos. Hoje muitas escolas de samba são formadas a partir de torcidas organizadas, o caminho natural. Relembro o Magrão, que a data dos seus 60 anos faz reabrir a ferida. Sócrates dizia: “Quem quer organizar o povo politicamente deveria pensar em atuar junto às ‘organizadas’”, segundo ele os grupos populares mais entrosados.

Vem aí o Carnaval para lavar a alma brasileira, mesmo que seja uma ilusão. A sensação de saciedade, de paz da Quarta-Feira de Cinzas compensa qualquer desengano. Passado o período momesco, porém, vamos dar de cara com a Copa do Mundo, em casa, de ressaca.

A última convocação pré-Copa mostrou mais uma vez a intenção do Felipão. Apesar de todas as especulações, o Jô parece ser o nome mais certo da lista. Mesmo precisando de um nome para garantir a inconstância física do Fred, a esta altura o atacante do Galo sempre esteve nas relações de convocados, está integrado no trunfo maior do técnico, de constituir uma “família”. Apesar de tudo, Felipão demonstra confiança, não parece agoniado com os problemas que preocupam os torcedores, a questão dos goleiros e do centro-avante. Curiosa a observação seguinte: o Chelsea inglês é “a base” da Seleção Brasileira ou pelo menos o clube que pode ter o maior número de convocados: David Luiz, Ramires, Oscar e Willian. No atacado e no varejo as notícias se sucedem. A morte do torcedor santista entristece o esporte e faz inadiáveis as providências de cima para baixo.

No quesito construções para a Copa, os atrasos passam para os centros de treinamento das seleções visitantes, trazendo insegurança e preocupação. Alemães escolados preferiram construir um CT próprio (poderio). Boa notícia mandam os gaúchos que não querem suas dependências nomeadas “arenas”, termo que o dicionário esclarece ser local de combates. Preferem “estádios”, bem mais apropriados para o que se espera de um local para jogos de futebol.

Ainda no varejo, Flamengo anuncia a saída do “brocador” e assim exibe a situação do futebol brasileiro no momento. Nem se pode ser contra: com duas partidas sem fazer gol a instabilidade se apresenta. Daqui a pouco nem o dinheiro chinês nem nada. Lástima. Pode sobrar também para o treinador, a não ser que se repita a façanha de novo milagre, fabricar um novo time vencedor da noite para o dia ou o “olho da rua”. No atacado, a Fifa anuncia mudança na regulamentação dos “empresários”.  É o verdadeiro “samba do crioulo doido”. Bom carnaval para todos. Felicidade!

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