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Número 788,

Cultura

Cinema

A terrível crueza

por Mark Kermode — publicado 22/02/2014 08h04, última modificação 22/02/2014 14h48
"12 Anos de Escravidão", indicado ao Oscar, acompanha um carpinteiro, músico e homem de família sequestrado e vendido como escravo no sul dos EUA
Divulgação
Chiwetel Ejiofor

Chiwetel Ejiofor, sutileza física, desempenho grandioso

12 Anos de Escravidão
Steve McQueen

Baseado na memória do século XIX de Solomon Northup, 12 Anos de Escravidão acompanha um carpinteiro, músico e homem de família educado do estado de Nova York que em 1841 é sequestrado e vendido como escravo no Sul dos Estados Unidos. Despido de seu passado e de sua identidade, o rebatizado Platt torna-se propriedade de um fazendeiro cujo comportamento aparentemente benigno oculta sua condição de escravagista. Mas, vendido rio abaixo para Epps (Michael Fassbender), sofre em seu caldeirão de raiva psicótica.

O mau cheiro dos açoitamentos na Louisiana às vezes torna o filme insuportável de assistir, o que não é uma crítica (estamos a mundos de distância dos tons exploratórios de Django Livre), mas um reconhecimento da terrível crueza do filme. McQueen aproveita as experiências de Shame para explorar as profundidades dramáticas da canção. Solomon é um músico. Seu violino bem tocado ironicamente facilita sua captura e mais tarde o leva às casas dos escravagistas.

O segredo da existência de Solomon está em suprimir a raiva (ele deve se fingir de analfabeto e subserviente para sobreviver). Chiwetel Ejiofor é magnífico como protagonista. Tendo estreado no cinema em Amistad (1997), prova ser um mestre da sutileza física, e seus dentes cerrados e lábios ligeiramente abertos falam alto. Com exceção da participação intrusiva no terceiro ato do coprodutor Brad Pitt, 12 Anos de Escravidão é quase perfeito em termos de artesanato narrativo. Uma história importante contada com paixão, convicção e graça.

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