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Número 785,

Cultura

Cinema

Imagens bárbaras

por Orlando Margarido — publicado 01/02/2014 11h38, última modificação 04/02/2014 15h52
"Fruitvale Station – A última parada" estreia nessa sexta e aponta para um movimento talvez irreversível na sociedade americana: a revisão da história dos negros no país
Divulgação
Fruitvale

Grant (Michael B. Jordan), em busca de uma chance

Fruitvale Station – A Última Parada
Ryan Coogler

De pronto, Fruitvale Station – A última parada, estreia da sexta 31, aponta para um movimento talvez irreversível na sociedade americana, e a outro nas sociedades em geral. O específico é o que trata de uma revisão da história dos negros no país, dada a recente onda no cinema que tem em 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen, o maior representante com as principais indicações ao Oscar. McQueen e Ryan Coogler são realizadores negros. Coogler é estreante. Significativo, portanto, o apoio como produtores de Forest Whitaker e Octavia Spencer, Oscar de coadjuvante por Histórias Cruzadas em 2012. Um filme de alma negra, mas longe de se voltar apenas para a comunidade.

A outra peculiaridade diz respeito à democratização de imagens que tornou o mundo interligado. As máquinas digitais e celulares que registram tudo, inclusive tragédias como a que vitimou Oscar Grant. Sem o auxílio das gravações de testemunhas dificilmente se chegaria à clara agressão do policial que matou o jovem negro na virada de 2009. A ocorrência na estação de metrô do título  ganhou rápida repercussão nas redes sociais. Ao ser dramatizada por Coogler, devolve à vítima sua estatura humana. Grant (Michael B. Jordan) tenta a segunda chance após cumprir pena por venda de drogas. Quer recuperar a confiança da mãe (Spencer) e da mulher (Melonie Diaz). Tarefa árdua na condição de ex-detento. O filme é afiado. Mas basta a cena simbólica de um cachorro atropelado para dar conta da ideia de um descarte na vida e nas relações, válido tanto em um passado vergonhoso como na barbárie do presente. –