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Número 785,

Cultura

Show

De poesia e intuição

por Ana Ferraz publicado 02/02/2014 11h39, última modificação 02/02/2014 12h29
A avó maranhense empresta nome ao show novo de Ligiana Costa, Floresta, e serviu de guia e inspiração para este trabalho autoral
Divulgação
Ligiana

A cantora encarna o espírito mágico e onírico da floresta

Ligiana Costa
Teatro Eva Herz, SP
3 de fevereiro, 19h30

A mata tem um profundo apelo ancestral e afetivo na vida da cantora e compositora Ligiana Costa. A avó maranhense, Floresta Pires Araújo, que empresta nome a seu novo CD, Floresta, serviu de guia e inspiração para este trabalho autoral. Sete das 11 faixas do disco são de Ligiana e na canção de abertura, Malabares, ela anuncia a que veio: Que no planeta haja música e dança/a cidade e a floresta/o silêncio e a conversa entre irmãos.

“É uma coisa poética, mas quase um manifesto político. A floresta que resiste entre o silêncio e a fala diz muito sobre o disco”, resume a artista, cuja trajetória conecta o universo da música clássica ao da música popular. Depois de se formar em canto lírico pela Universidade de Brasília, Ligiana estudou no Conservatório Real de Haia, Holanda. No ambiente rígido e de alta exigência disciplinar, uma professora cruel vaticinou que a pupila jamais cantaria.

A infeliz avaliação, que o tempo ajudou a artista a analisar como uma forma de incentivo, levou-a a se interessar pelo estudo da música. Depois de concluir mestrado e doutorado na Itália e cantar na noite parisiense voltou às raízes brasileiras e lançou De Amor e Mar (2009). “Foi um trabalho mais de intérprete. Floresta é meu disco de criadora.”

Ao escolher o repertório, percebeu que as canções pareciam se guiar pela energia da avó. A intuição se mesclou à poesia e Floresta tornou-se uma homenagem ao Maranhão. Um boi maranhense (Boi de Catirina), um tributo ao poeta  Sousândrade (Canção de Sousândrade), em parceria com o pai, o jornalista Celso Araújo, uma salsa que une Monteverdi e Petrarca (Salsa Petrarca). “As coisas se relacionam, gosto de fazer essas pontes.”

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