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Número 785,

Cultura

TV

A Praça é nossa

por Nirlando Beirão publicado 03/02/2014 06h05, última modificação 03/02/2014 15h39
O Oscar espreita The Square (A Praça) com boas chances de consagrá-lo o melhor documentário do ano. A produção ganhou distribuição da Netflix. Por Nirlando Beirão
Divulgação
The Square

Ahmed, na Praça Tahrir, em noite de ainda) comemoração

O Oscar espreita The Square (A Praça) com boas chances de consagrá-lo como o melhor documentário do ano. A novidade é que, ao contrário do que costuma acontecer com filmes do gênero, relegados aos nichos obscuros das salas de exibição, The Square obteve confortável asilo num território onde milhões de espectadores podem hoje apreciar a sua contundente atualidade.

É isso: a televisão. Por ironia, aquele veículo que, ao surgir, foi acusado de nutrir as piores intenções em relação ao cinema. The Square ganhou distribuição da Netflix. Já está no ar, legendado.

“O Ocidente tem essa mania de querer escrever a história dos outros, mas nós, no Egito, queremos escrever nossa própria história”, disse a esta coluna, por telefone, a diretora Jehane Noujaim. Este, aliás, não é apenas o desafio do documentário, o de entender a turbulenta linguagem das ruas insurgentes do Cairo, através de dois personagens emblemáticos, mas opostos (o ativista Ahmed Hassan e um militante da Irmandade Muçulmana, Madjy Ashoud); mas também o de decifrar os novos códigos verbais, corporais e emocionais que afloraram em todo o país a partir do epicentro revoluconário da Praça Tahrir, em janeiro de 2011.

Revolucionário? – é a pergunta que The Square não ousa responder, na barafunda sucessiva da queda do ditador, da violência fratricida, da repressão policial, da eleição cancelada, do golpe de Estado, da guerra civil latente que acabará por separar os dois protagonistas. “O Exército e a Irmandade Muçulmana são a mesma tragédia”, diz o produtor Karim Amer. “Mas, aconteça o que acontecer, o povo egípcio descobriu que o poder está com ele.” Jehane Noujaim concorda: “O sonho sobrevive”. O cinema gosta de sonhar. A tevê, pelo visto, também.

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