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Número 782,

Política

"Mensalão"

Os critérios nebulosos de Barbosa

por Redação — publicado 11/01/2014 07h59
O presidente do STF sai de férias sem decretar a prisão de condenados como João Paulo Cunha
Valter Campanato/ABr
Barbosa

Barbosa só assinará o pedido de prisão de João Paulo Cunha após as férias

Não bastaram os arroubos de truculência durante as sessões do julgamento do “mensalão” ou as atabalhoadas decisões sobre o cumprimento das penas dos réus . O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, superou-se: saiu de férias sem assinar o pedido de prisão de João Paulo Cunha, após ter negado dois recursos do deputado e determinado o cumprimento imediato da pena de seis anos e quatro meses. Para a prisão ser concretizada, faltou, porém, o mandado.

Assim, enquanto Barbosa goza seu descanso anual, Cunha segue em uma espera beckettiana, classificada por seu advogado de “desumana”. E não é o único. Barbosa demonstra não presar por parâmetros sobre a expedição de mandados contra os condenados. Alguns foram detidos horas após ter encerrados seus processos. Outros esperaram um, dois, três dias. João Paulo, cujo processo findou-se na segunda-feira 6, chegou a se preparar para ir à prisão, mas segue sem saber quando o fará.

O STF culpa a burocracia kafkiana da Corte: o mandado precisaria ser redigido e revisado pela Secretaria Judiciária do Tribunal, quando um ofício seria enviado à Câmara e uma carta-sentença à Vara de Execuções. Até lá, graças aos critérios insondáveis de Barbosa (ou à falta deles), Cunha segue à espera de  Execuções. Até lá, graças aos critérios insondáveis de Barbosa (ou à falta deles), Cunha segue à espera de Godot.