Você está aqui: Página Inicial / Revista / Maconha na farmácia / A tevê apita a Copa
Número 779,

Cultura

TV

A tevê apita a Copa

por Nirlando Beirão publicado 15/12/2013 07h37, última modificação 16/12/2013 16h06
Xiii, a Copa é para valer. De repente, aquilo que parecia desterrado para um limbo distante, ganhou uma realidade impositiva. Culpa da televisão. Por Nirlando Beirão
Reprodução
Sorteio

Um pouquinho de Fernanda para muito de Galvão

Xiii, a Copa do Mundo é para valer. De repente, aquilo que parecia desterrado para um limbo distante, enevoado de ceticismo espectral e assombrado pela irritação dos protestos, ganhou uma realidade impositiva, com o sorteio dos grupos e a ansiedade subsequente de apostas prematuras e dos prognósticos “científicos” dos sabichões da bola.

A Copa do Brasil, até então tímida mesmo nos comerciais de tevê, saiu à rua e chegou ao povo. Mérito – os rabugentos dirão: culpa – da televisão.

Refugio-me em memórias alheias da primeira de nossas Copas, a de 1950, e imagino o clima de confiança espontânea, diria mesmo provinciana, de uma nação inebriada pelo futebol e que respirava, na arte das chuteiras, a euforia de um destino manifesto. Percorro imagens cinematográficas do Maracanã recém-inaugurado, a multidão eufórica, os lances da tragédia em campo, o trauma nacional.

Ainda assim, havia certa ingenuidade em tudo aquilo, como se a paixão pela bola não reduzisse as dimensões da vida.

A Copa de 50 não passou na tevê. As Copas ainda não eram o megaevento midiático que viriam a ser. Foi o que o sorteio de Sauípe reiterou: só quando a tevê aciona suas câmeras é que os acontecimentos começam a ocorrer. Vale para a Copa, assim como para a Olimpíada, para os funerais ilustres, para as efemérides da realeza.

Na televisão, qualquer evento se exacerba, reverbera, amplifica seu significado. A Copa 2014 consolida a regra. Pelo bem ou pelo mal, é a tevê que dita as regras, determina os horários, comanda o show. É a dona da bola. Para aqueles pouquinhos momentos de Fernanda Lima, bela, fina, cool e cult, teremos de engolir horas e horas das patacoadas patrioteiras de Galvão Bueno e seus comentaristas-escravos.

registrado em: