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Número 778,

Cultura

TV

O rei da voz

por Nirlando Beirão publicado 08/12/2013 08h18
The Voice Brasil é o que de melhor a Globo pode aspirar em entretenimento. A sagração de uma Cinderala encantou o mundo
João Miguel Junior / Tv Globo
The voice

Microfone. Se depender de Lulu (e do Brown), alguém vai conseguir cantar?

The Voice Brasil é o que de melhor a Globo pode aspirar em matéria de entretenimento de auditório. O Boninho tem a manha. Tiago Leifert, ainda que queira se popularizar no pseudônimo plebeu de “Titi”, não é nenhum Chacrinha, nem pretende ser, o que traz a imediata comparação com Pedro Bial, o qual, se bem que poeta e biógrafo, quer muito ser o Chacrinha, sem conseguir ser.

A sagração de uma Cinderela – ou um Cinderelo – pelo que ela/ele possa produzir em trinados, falsetes e vocalizes é fórmula que contagiou o mundo, como uma praga sonora. The Voice, inaugurado na Holanda em 2010, é sequela de The Idols, que estreou no Reino Unido também com os holandeses – no caso, os da Freemantel – como inspiração.

No Brasil, dois dos jurados, mais do que os próprios candidatos, disputam entre si o direito de ser The Voice – a voz singular e única. Lulu Santos, com sua exuberância gongórica, e, esforçando-se para lhe fazer sombra, Carlinhos Brown, o Gregório de Mattos com partitura. Trata-se de um embate mais excitante do que aquele que se trava no palco.

O exagero de sílabas alargadas em E e O pelos cantores e cantoras só é menor do que o excesso das modulações cenográficas dos penteados das meninas, em cachos e franjas, o que pressupõe para os cabelereiros da Globo mais trabalho do que o do hair stylist da Seleção Brasileira.

Quem também tem muito trabalho é a equipe de contrarregras, obrigada a checar os equipamentos ao fim de cada noitada de quinta. Vai que o Lulu Santos, sempre tão difícil de ser desligado, decide levar o microfone para casa.

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