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Número 778,

Internacional

África do Sul

O homem que fez o impossível

por Redação — publicado 06/12/2013 10h33
O continente africano perde o seu maior herói e revolucionário
Alexander Joe / AFP
Mandela

Mandela liquidou o regime de Apartheid que durou a maior parte do século XX

Na noite da quinta-feira 5, o presidente sul-africano Jacob Zuma anunciou a morte do ex-presidente Nelson Mandela, líder vitorioso da luta contra o Apartheid. Com 95 anos e doente de infecção pulmonar e problemas de estômago, próstata e visão, ficou internado de junho a setembro e prosseguiu com tratamento intensivo em sua casa até o falecimento.

Formado em Direito, Mandela aderiu em 1943 ao Congresso Nacional Africano, partido socialista anticolonial e antirracista existente desde 1912. No ano seguinte, foi um dos fundadores da juventude do partido e tornou-se o principal líder regional do CNA nos anos 1950. Acusado de ser comunista, foi detido em 1952 e em 1956. Ao atuar na clandestinidade, foi (com ajuda da CIA) preso mais uma vez em 1962 e desta vez condenado à prisão perpétua.

Apesar de ser classificado como terrorista e agitador comunista pelo regime racista branco e seus aliados, inclusive Ronald Reagan e Margaret Thatcher, o crescimento da resistência interna e do boicote internacional ao Apartheid obrigou o governo de Pretória a transferi-lo para uma prisão na Cidade do Cabo em 1982 e tentar negociar a partir de 1985. Em 1990, já idoso, foi libertado e passou os quatro anos seguintes organizando a transição para a democracia. Eleito primeiro presidente negro do país, governou de 1994 a 1999, desmantelou as instituições racistas, investigou os crimes do regime branco, promoveu a reforma agrária e uma integração racial pacífica. Tornou-se, desde então, um herói nacional e mundial, embora os EUA só tenham se lembrado de retirá-lo da sua lista de terroristas em 2008.

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