Você está aqui: Página Inicial / Revista / Na cintura / Teorias da Conspiração - O importante é não perder a cabeça
Número 777,

Sociedade

Blogs do Além

Teorias da Conspiração - O importante é não perder a cabeça

por Vitor Knijnik — publicado 03/12/2013 05h59
Uma das teorias da conspiração não aventadas pelos adeptos das teorias da conspiração é que o meu assassinato foi encomendado. No Blog do Kennedy
Do Blog do Kennedy
Kennedy

Curto: amigos famosos, mulheres bonitas e passear em carro aberto. Não curto: Fidel Castro, mísseis soviéticos e comunistas em geral.

Uma das teorias da conspiração não aventadas pelos adeptos das teorias da conspiração é que o meu assassinato foi encomendado pela indústria das teorias conspiratórias. Nunca se aventaram tantas possiblidades paranoicas sobre um único fato. Pelo menos, até o ataque ao World Trade Center, o caso sobre a certidão de nascimento do Obama e a vinda de médicos cubanos para o Brasil.

Caso você não saiba, essa indústria é uma das mais poderosas do mundo. Foi ela que providenciou a cicuta para Sócrates. Eles não queriam que o autor dos famosos diálogos registrasse em livro sua sabedoria. Por trás desse plano maligno estava o cliente Platão, que apenas teve o leve trabalho de recolher as frases de seu mestre para entrar no Olimpo da filosofia. Fosse hoje em dia, bastaria kibar os tuítes engraçadinhos e postar no Facebook como se fossem dele que ia dar no mesmo.

Além disso, há muitos anos, a indústria das teorias conspiratórias tomou conta do futebol. Lembram da Copa do Mundo de 1998? Pois é. Nos últimos anos, dentro do processo de espanholização do futebol brasileiro, encomendado pelos detentores dos direitos de transmissão, garantiu títulos em sequência ao Corinthians. Em julho, a vitória brasileira na Copa das Confederações serviu pra desmobilizar o Gigante que havia acordado. Não quero cometer uma indiscrição, mas dizem que tudo foi financiado com um cartão do BNDES.

Assim, está claro, o importante é não perder a cabeça em teorias conspiratórias. A indústria tem possibilidades amplas, mas não trabalha com loucuras. O meu caso, por exemplo. Obviamente, Lee Harvey Oswald foi apenas um bode expiatório. Um olhar mais atento mostra que a Máfia do ISS, o Escândalo do Metrô do PSDB de São Paulo, os 450 quilos de cocaína no helicóptero de um senador mineiro, a fama repentina do aplicativo Lulu, os alienígenas em Roswell e o meu assassinato em Dallas, em 1963, são parte de uma única e gigantesca conspiração. Sim, é isso mesmo, você está certo: tudo se trata de um complô para abafar o escândalo do “mensalão”.