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Número 772,

Tecnologia

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Um drible na censura

por Felipe Marra Mendonça publicado 28/10/2013 05h29
Novo serviço do Google permite partilhar acesso à web com outros países
Ed Jones/ AFP
uProxy

Atalho. Com o uProxy, um iraniano pode navegar a partir de uma conexão nos EUA

A Apple dominou as manchetes de tecnologia durante a semana com o lançamento de uma nova versão do iPad, mas o que realmente mereceria destaque foi um pequeno aplicativo lançado pelo Google durante uma conferência em Nova York, na terça-feira 22. A ferramenta chama-se uProxy (uproxy.org). Ela permite que pessoas em países com internet livre deem a pessoas em países com conexões mais restritas uma linha aberta para terem acesso irrestrito à rede. Assim, um usuário no Brasil poderia deixar um amigo iraniano usar sua conexão para acessar a internet sem restrições.

“Existem bilhões de pessoas ao redor do mundo que vivem em lugares que realmente restringem a livre expressão”, disse à revista Time o executivo Jared Cohen, diretor do Google Ideas, o think tank da companhia que desenvolveu o aplicativo. “Queremos permitir a essas pessoas terem o mesmo acesso à internet que nós todos temos. Sempre mantivemos no Google que temos uma responsabilidade com os nossos usuários. Isso também inclui gente que mora no Irã, na Coreia do Norte, em Cuba e na Síria, onde os desafios são realmente sérios”, disse Cohen, acrescentando que as ferramentas disponíveis são frequentemente descobertas e bloqueadas por censores.

“Todo dissidente que conhecemos em qualquer sociedade repressiva tem amigos fora do país em quem pode confiar. E se esses amigos confiáveis pudessem desbloquear o acesso nessas sociedades ao compartilhar suas conexões? Esse foi o problema que quisemos resolver”, concluiu o diretor do Google Ideas.

Além de dar voz a dissidentes do mundo inteiro, a internet também propicia momentos de contatos imediatos entre inimigos ferrenhos. Um blog do Wall Street Journal, especializado em Oriente Médio, flagrou um diálogo no Twitter entre o porta-voz das Forças Armadas israelenses, Peter Lerner, e a conta oficial do braço militar do Hamas, as Brigadas al-Qassam. A “conversa” começou quando o militar israelense defendeu uma ação militar em que um suposto terrorista palestino foi morto. Em resposta, a conta do Hamas disse que a organização continuaria sua luta até a libertação completa da Palestina. “Eles mandaram mensagens e eu respondi”, disse Lerner.

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