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Número 765,

Internacional

Vaticano

Entre corvos e víboras

por Redação — publicado 09/09/2013 08h46
Novas provas da interferência indevida da Igreja no governo italiano e das irregularidades do IOR, cujo diretor temia ser assassinado
AFP
Bertone

As denúncias voltam a comprometer o recém-demitido Bertone com manobras escusas

A demissão viria mais cedo ou mais tarde, mas nem por isso foi menos incômoda, do secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone. Bertone insistiu em que o saldo de seus sete anos no cargo foi positivo e atribuiu as acusações dirigidas contra ele a “uma rede de corvos e víboras”. Será substituído pelo arcebispo italiano Pietro Parolin, núncio na Venezuela desde 2009, que assumirá o cargo em 15 de outubro. Nem por isso cessou o vazamento de escândalos que marcou sua gestão.

O jornal italiano La Repubblica publicou na quinta-feira 5 um novo vazamento de cartas, e-mails e relatórios referentes a negociações secretas entre o Vaticano e o partido Povo da Liberdade (PdL) de Silvio Berlusconi e uma intromissão muito maior do que se suspeitava da Cúria e da Conferência Episcopal Italiana (CEI) no seu governo e no de seu sucessor Mario Monti.

Evidenciaram-se pressões para manter isentos de impostos os serviços e imóveis da Igreja, alterar a lei do testamento biológico (sobre orientações do paciente em relação a procedimentos médicos no caso de lesões cerebrais irreversíveis), socorrer instituições ligadas aos interesses do Vaticano, bem como para influir em nomeações na RAI e na própria formação do governo Monti.

No mesmo dia 5, o Corriere della Sera revelou a correspondência mantida pelo então diretor do IOR, o Banco do Vaticano, Ettore Gotti Tedeschi, com monsenhor Georg Gänswein, secretário de Bento XVI. Denunciava irregularidades sem conta e lá pelas tantas escreve: “Receio que me matem”.