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Número 764,

Sociedade

Refogado

O amor é lindo

por Marcio Alemão publicado 01/09/2013 08h34, última modificação 02/09/2013 10h54
Este golpe ou pesquisa consiste em trocar seu parceiro no restaurante enquanto ele tecla no celular. Por Marcio Alemão
Divulgação
Um Misterioso Assassinato em Manhattan

Um Misterioso Assassinato em Manhattan, 1993

Ainda não se chegou a uma conclusão. Golpe ou pesquisa científica? O que tem acontecido é o seguinte: casais chegam a um restaurante, sentam-se frente a frente ou lado a lado (não foi possível, por ora, identificar um padrão) e começam a teclar em seus celulares. Passado um tempo, a mulher ou o homem são substituídos por outro ou outra. Tudo é feito sem nenhum aparato de coerção ou sinal de violência. Uma pessoa se aproxima e diz ao ouvido da vítima: “É rapidinho, o senhor (ou senhora) pode vir comigo?” A pessoa não para de teclar e simplesmente obedece.

Na sequência, um substituto ocupa o lugar do antigo par e também, a exemplo do anterior, segue teclando. O pedido é feito sem que os olhos deixem a tela. A refeição chega, continuam a teclar. A conta é paga e se retiram. Às vezes a mulher estranha o carro, que não é o do companheiro, mas, se o mesmo tiver acesso para carregar o celular, queixas não ocorrem.

Eu creio que se trata de um estudo comportamental, considerando que a parte assemelhada a um golpe/sequestro não tem funcionado.

Explico melhor. Ninguém reclama da troca. Ninguém percebe a troca, a não ser que a pessoa substituída decida conversar, comentar sobre a comida, sobre o local. Ah, sim. Se o local não tiver Wi-Fi, será riscado da lista do casal. Olha só que bom quesito para a mídia encantada em distribuir prêmios: Restaurante com a Melhor Rede.

Igualmente triste tem sido a limpeza que tenho feito em minha adega. Não culpo ninguém além de mim mesmo e de meu desleixo em certas épocas. Resuminho: quatro garrafas de vinhos de Bordeaux – Château Beychevelle e Château Fombrauge, da celebrada safra 2000, foram para o ralo da pia. Da mesma forma, duas de Crozes-Hermitage 2001, do produtor Paul Jaboulet. Acho que vacilei na conservação. Mas um lado meu convenceu-se, faz um tempinho, de que os vinhos não são mais feitos para durar.

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