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Número 763,

Sociedade

Refogado

Encontrei a lasanha

por Marcio Alemão publicado 25/08/2013 09h33, última modificação 25/08/2013 10h12
Na Hostaria Romana, o prato não se derrete em queijo nem possui 12 andares de massa. O responsável é o romando Giorgio Bartolomei. Por Marcio Alemão
Flickr / sekushy

É bem provável que hoje eu tenha comido a melhor lasanha de São Paulo.

Por partes: é um prato delicado que costuma ser brutalizado em 98% dos locais que decidem servi-lo. A culpa, esclareço desde já, deve ser dividida com o cliente. A paixão inexplicável do paulista por queijo derretido é assunto recorrente neste Refô. Pois é o dito que costuma transbordar nesse prato. Em alguns dias, chego a pensar que uma bactéria mutante de um laticínio ganha vida, transforma-se em uma espécie de lava e vai consumindo tudo que passa à sua frente. Mas as pessoas, ao contrário do esperado, não fogem. Atiram-se, mergulham nela. A massa grossa costuma ser outro entrave, que se torna ainda mais grave quando o chef decide brincar de pequeno construtor e edifica uns 12 andares de massa, queijo, carne, presunto, molho bechamel e mais queijo.

O local acabou de ser aberto e se chama Hostaria Romana. O dono,  Giorgio Bartolomei, é um romano que mal fala o português. Contou-me que nunca fez curso de culinária. Aprendeu tudo com sua mãe. Faz tudo do mesmo jeito que ela fazia. Portanto, caso você prove alguns dos pratos e não goste, vá reclamar com a mãe dele. O cardápio é pequeno. Um tamanho que ele consegue controlar.

Comi uma pizza romana. A massa é muito fina, feita com mais água. Mais uma vez, a quantidade muito pequena de mussarela salta aos olhos. E Giorgio deixa claro: “Não faço de outro jeito e digo, prove. Se não gostar, não paga”. Idem a berinjela com tomate fresco e mussarela. Nada parecido com as edificações que frequentam as cantinas paulistanas.

Mas a lasanha me surpreendeu mais que tudo. Pela leveza, pelo sabor, pelo equilíbrio. A massa, ele faz e abre muito fina.

Em tempo: todas as massas que serve são feitas por ele. A da lasanha vai ao forno crua, mas conta com o bechamel e com o molho de tomate para ficar cozida. Não sei se cairá nas graças dos comedores de tijolos, mas disse a ele para ter paciência e não ceder.
Fettuccine alho e óleo com peperoncino. Mais uma vez, há tempos não comia essa receita sem que a massa viesse nadando em óleo. Ainda teve um tiramissu molhado e saboroso. E a  conta, para dois, não chegou aos 40 reais por cabeça. Rua dos Jurupis, 421, Moema.

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