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Número 760, Agosto 2013

Política

Política

Dilma insiste no erro

por Mauricio Dias publicado 03/08/2013 09h15
Eleita em ambiente político viciado, a presidenta tentou mudar costumes, mas acabou cedendo diante da resistência de aliados e do próprio PT. Grave agora é não voltar atrás
Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Dilma

Dilma encontrou resistência até no próprio partido

Os aliados reclamam por ela não fazer política. Os adversários criticam por fazer política demais. Ela sofre restrições na base governista, onde se diz que a presidenta não gosta do partido dela, o PT, e menos ainda dos coligados: um amontoado de 14 legendas unidas por todos os tipos de interesses. Inclusive os legítimos.

Condenada pelos oposicionistas por contar com 39 ministérios para atender partidários, vê repentinamente o PMDB, cujo maior líder é o vice-presidente da República, Michel Temer, propor a redução do número de ministros para atender o que pensa ser a voz das ruas. Um jogo de cena explicável. Estava escrito. Os dois maiores partidos da base governista, PMDB e PT, entrariam em choque em busca da maioria na Câmara na eleição de 2014.

Há erros e acertos nessas versões criadas a partir de verdades e mentiras que cercam o modelo de Dilma Rousseff governar após dois anos e meio de poder. Duas palavras podem compor o lema dela: seriedade e inexperiência. Ela paga por ambas. Por essas e outras razões vem sendo tragada pelo próprio ambiente que a elegeu. Essa moldura se consolidou no momento em que as manifestações deixaram de ser virtuais.

Nos últimos dias, a presidenta aplicou um “sossega leão” nos aliados. Liberou 2 bilhões de reais do Orçamento para senadores e deputados. Com isso, espera manter vetos feitos à supressão de 10% de multa sobre o FGTS na demissão sem justa causa de trabalhadores. Há, ainda, a MP do “Mais Médicos” e a questão dos royalties do petróleo.

Dilma sempre fez política. No começo, contra a  ditadura. Perdeu. De volta, filiou-se ao PDT de Brizola. Migrou para o PT, pelo qual disputou a Presidência. Ganhou. Apesar da autoridade do criador, Lula, a criatura não desceu redonda pela goela dos aliados. Em alguns momentos, ela tentou mudar o rumo das coisas. Ora negociou, ora impôs. Ora contida, ora agressiva.

Ao fim, o saldo neste momento não é bom. Eleita em uma disputa na qual teve de escamotear convicções, como no caso do aborto, foi mudada em vez de mudar.

Logo nos primeiros meses de governo afastou ministros acusados de “malfeitos”, para usar uma expressão cara à presidenta. Os atingidos engoliram a seco.

A queda na popularidade, no ponto em que a economia está, enfraqueceu a autoridade dela perante aliados rebeldes de setores petistas.

Olhando com lupa é possível ver a diferença numérica na ascensão e na queda dela. Dilma obteve 48% dos votos nominais no primeiro turno da eleição de 2010. Chegou a ter, no ápice do sucesso, uma avaliação de 65% de “ótimo e bom”. Isso significa que, ao longo do governo, ganhou 17 pontos a mais do que teve na eleição. Na queda, perdeu 18 pontos do primeiro turno e mais 17 pontos que tinha conquistado no segundo, quando alcançou 58% dos votos válidos.

No balanço de prós e contras, neste momento, ela perde o confronto. Cercada, ela cedeu. Agora defende o modelo que nasceu da sua entrega. A insistência, no caso, é fatal.

Expurgo no PT
José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil de Lula, e os deputados José Genoino e João Paulo Cunha foram apanhados de surpresa com o veto do PT à participação deles no Diretório Nacional do partido.

Todos souberam da novidade lendo jornal.

Voz da revolução
Não precisou correr muito o tempo. Poucas semanas após a posse, Luís Roberto Barroso, novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), não esconde a perplexidade e solta a voz:

“É indescritível a quantidade de processos e de assuntos que há por aqui. É preciso fazer uma revolução no modo como o STF funciona”.

O samba agora vai?
Em ambiente esperançoso, o Ministério do Meio Ambiente vai tirar do forno o Cadastro Ambiental Rural (CAR) com base no novo Código Florestal.

O Brasil conviveu por anos num ambiente de faz de conta.

Agora, espera o MMA, o País terá algo considerado inédito no mundo: o mapeamento de todos os cursos d’água e da vegetação nativa remanescente tanto em propriedades rurais agrícolas particulares quanto em terras públicas.

A prioridade será a grande propriedade. Isso significa 75% das grandes propriedades privadas sob o controle de 25% de donos de terra.

As exigências de recuperação serão a Amazônia e a Mata Atlântica.

Voo e vaia
Já por quatro vezes o deputado Henrique Alves desmarcou um almoço com os presidentes do Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense.

Em pauta a adoção do refinanciamento da dívida dos clubes. A voz das ruas cancela a viagem do presidente da Câmara.

O desabrigado
José Serra vagueia em busca de um partido para disputar a eleição presidencial de 2014.

Já foi descartado por PV, PSD, e teve a porta do PTB trancada para ele.

Embora licenciado da presidência do partido, Roberto Jefferson descartou a conversa com Serra e teria dito ao senador Aécio Neves e ao governador Eduardo Campos que o tucano paulista não cumpriu “os acordos de 2010”.

Segundo Jefferson o partido tende a apoiar Dilma.

Desalojado no PSDB, ele até agora conta apenas com o casebre (PPS) de Roberto Freire.

Carreirismo I
Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), o maranhense Raimundo Carreiro tem a carreira vinculada ao senador José Sarney, ex-presidente da República.

Carreiro, antes do TCU, foi secretário-geral do Senado.

Ele guardava os segredos da Casa. Inclusive essa: aumentou a idade para se aposentar mais cedo.

Agora, no TCU, quer
reajustar a certidão de nascimento para permanecer mais anos na sinecura.

Carreirismo II
O maranhense Raimundo Carreiro ganhou fama ao dizer que o País lhe “pagou pouco” – 40 mil reais mensais – como servidor do Senado.

Tempos atrás, não viu problemas no fato de Amaury Machado, funcionário do TCU apelidado de “Secreta”, atuar como mordomo na casa da então senadora Roseana Sarney.

Ação judicial para rejuvenescer, como esta agora de Carreiro, parece ser comum, no Maranhão, por patriotas desejosos de fugir da aposentadoria compulsória para continuar servindo...

A quem?