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Número 757, Julho 2013

Cultura

Cinema

O último barato de Hugo Carvana

por Carlos Leonam — publicado 14/07/2013 09h40, última modificação 14/07/2013 10h34
O diretor-ator revisita, com seu humor à carioca, o universo de trambiqueiros e maluquetes agora unidos em torno da cannabis
CMJ2
Hugo Carvana

"A sequência do campeonato de maconha não tem nenhuma relação com experiências minhas", diz Hugo Carvana

Está chegando às telas mais uma curtição do cineasta e ator Hugo Carvana, responsável por algumas das mais divertidas comédias cariocas dos últimos anos – Vai Trabalhar, Vagabundo; Se Segura, Malandro; O Homem Nu, e o cultuado Bar Esperança, o último que fecha (dedicado aos amigos das mesas dos botequins de Ipanema, aos intelectuais da esquerda festiva, numa sátira política em que o diretor ludibriou a censura). Entre outras.

Agora, o barato fica literalmente por conta do trambiqueiro Juca (José Wilker), que promove um Concurso Mundial da Maconha, em Casa da Mãe Joana 2 (estreia dia 6 de setembro). É Hugo quem explica essa sequência de seu filme:

* “A sequência do campeonato de maconha não tem nenhuma relação com experiências pessoais minhas, podem crer. Foi uma necessidade de roteiro. Existe um lapso de tempo entre o primeiro filme e esse. E para continuar contando a história dos personagens – Juca (José Wilker), PR (Paulo Betti) e Montanha (Antonio Pedro) –, precisávamos mostrar o que eles andaram fazendo nesse tempo.

* “O Juca é um louco, irresponsável, um doce vagabundo. Para ele a vida é uma diversão, ele é um homem com muitos vícios, e um deles, além de lindas mulheres, é a cannabis. Mas ele não é um drogado, viciado, só está buscando diversão. E o concurso mundial de maconha foi uma forma de extravasar, exagerar essa característica do personagem para criar essa sequência cômica”. Detalhe: qualquer semelhança com a 25ª Cannabis Cup, que houve este ano em Amsterdã, Holanda, é, como se diz nos filmes, mera coincidência.

O primeiro Casa da Mãe Joana (de 2008) era uma memória autobiográfica das confusões – “obscenas e alegres“ – que Carvana, Daniel Filho, Roberto Maia e Luiz Carlos Miele armavam num apartamento na Rua Bartolomeu Mitre (no Leblon, Rio), bem em frente ao legendário Antonio’s, um dos pontos de encontro da festiva. Ou seja, era a casa da mãe joana propriamente dita.

Agora, a continuação mostra Montanha vivendo uma vida tranquila ao tornar-se um escritor de sucesso, após o lançamento do livro Casa da Mãe Joana. Só que tudo muda quando reencontra seus velhos amigos, Juca e PR. Juntos se metem em uma série de confusões, desde fugir de duas irmãs, Laurinha e Teresa (Leona Cavalli e Lucia Bronstein), capazes de tudo para receber a herança da mãe Madame Pedregal (Carmem Verônica), até se envolverem com um médium picareta, Alcebíades (Anselmo Vasconcellos), e com o aparecimento de um fantasma francês, Zazzie (Caike Luna), que quer morar na mansão de Montanha. Por oportuno, diga-se que os efeitos especiais para o “fantasma” nada ficam a dever aos ghosts das comédias norte-americanas.

Aos 76 anos bem vividos, Hugo Carvana de Hollanda diz que não vai parar por aqui. Está completando a história de seu próximo filme, Curto-Circuito. Nela o personagem principal (José Wilker) enlouquece num sinal de trânsito e acaba nas mãos de um psicanalista não menos pirado (Miele). Esperemos mais gargalhadas da plateia.