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Número 756, Julho 2013

Política

Protestos

O que há por trás disso?

por Redação — publicado 06/07/2013 06h27
Os caminhoneiros bloqueiam rodovias em todo o País. O governo e as centrais sindicais desconfiam das intenções do movimento, talvez liderado por patrões
AFP
Protestos pelo pedágio

Em três dias, 18 presos e cinco mortos nas estradas

Os protestos de caminhoneiros pela redução do valor dos pedágios e do diesel são o novo foco de preocupação do governo federal. Em três dias de mobilização, 18 manifestantes foram presos e ao menos cinco pessoas morreram em circunstâncias ligadas à paralisação da categoria, incluindo um caminheiro atacado após furar um bloqueio no Rio Grande do Sul.

A presidenta Dilma Rousseff determinou que a Polícia Federal abra inquérito para investigar o envolvimento de empresários do ramo de transportes na paralisação das rodovias. A Central Única dos Trabalhadores acusa o movimento grevista de fazer um lock out contra a lei regulamentadora da profissão de motorista. Ela acusa as empresas rodoviárias de carga de tentar derrubar a obrigação de dar descanso aos carreteiros.

28,27 bilhões de reais foram captados em cadernetas de poupança no primeiro semestre deste ano, segundo o Banco Central. Trata-se do maior valor já arrecadado para os seis primeiros meses de um ano desde o início da série histórica, aferida a partir de 1995

A despeito de uma liminar judicial contra as interdições nas estradas e de uma multa de 6,34 milhões de reais imposta pela Justiça Federal do Rio de Janeiro (100 mil por hora de bloqueio), os caminhoneiros não dão sinais de trégua e 18 rodovias, em oito estados, sofreram paralisações na quarta-feira 3.

Não está clara a intenção por trás dos protestos. Mas o sinal de alerta é alimentado pelos fantasmas do passado. Em 2012, a Argentina sofreu uma crise de abastecimento após disputa travada entre o governo da presidente Cristina Kirchner e o Sindicato dos Caminhoneiros. Em 1972, uma greve de proprietários de caminhões no Chile impediu o plantio da safra agrícola daquele ano. A asfixia financeira do país alimentou a sanha golpista da oposição, com o desfecho conhecido por todos: a deposição e morte do presidente Salvador Allende.