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Número 756, Julho 2013

Saúde

Infraestrutura

O Brasil precisa de um novo modelo de saúde

por Riad Younes publicado 07/07/2013 10h50, última modificação 07/07/2013 13h04
As manifestações dos médicos no Brasil trazem à tona um debate muito maior, feito mundo afora: como melhorar os atuais sistemas
Valter Campanato/ABr
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Os protestos têm um denominador comum: saúde de qualidade para todos

Manifestações de médicos, pramédicos e outros profissionais da saúde. Manifestações da população. Pautas não faltam. O ato médico. Limites ao exercício da profissão. Menos filas nos hospitais. Mais investimento na saúde. A favor ou contra a homossexualidade como doença a ser curada. O que todos exigem, no fundo, é um denominador comum óbvio, mas ilusório. Saúde de qualidade para todos.

E não somente para quem pode pagar. A boa saúde não se restringe a bons hospitais e médicos. É um conjunto de medidas e estratégias que envolve todos com alguma ligação com o cuidado de doentes. Temos nosso modelo atual: SUS e saúde suplementar, privada. Funciona até certo ponto, mas está longe do mínimo ideal.

A preocupação com modelos vigentes não é restrita ao Brasil. Estados Unidos, França, Inglaterra, cada qual com seu próprio modelo de atendimento à população, começam a rever seus sistemas de saúde. A discussão é profunda e envolve todos os segmentos da sociedade. Coisa que aqui ainda está dando seus passos iniciais.

Para se ter uma ideia, o NHS (Sistema Nacional de Saúde) da Inglaterra, visto como um modelo de sucesso que completou 65 anos, parece fadado à aposentadoria. Nunca se discutiu tanto e se reclamou tanto do NHS como nas últimas semanas. Revistas científicas, leigas e até tabloides dedicam parte grande de suas páginas a esse assunto. Quanto se gasta. Quanto se arrecada. Quais são os resultados e quanto de impacto real na qualidade dos atendimentos e na vida dos pacientes ingleses.

Problemas como cortes nas verbas governamentais para o NHS, descontrole das filas de espera nos hospitais, internações prolongadas, utilização desproporcional de exames e custos cada vez mais elevados da medicina obrigaram as autoridades inglesas a questionar a sabedoria de manter esse sistema no formato atual. Rapidamente começaram a procurar opções viáveis, dentro das limitações e condições locais. E quando digo rapidamente, isso foi deflagrado semanas após os alarmes e as reportagens alcançarem as bancas de jornais em Londres.

Por circunstâncias particulares minhas, tenho visitado com certa frequência a Inglaterra. Acreditem em mim, o SUS deles, ou NHS, está anos-luz à frente do nosso, na qualidade e no atendimento à população. Assim mesmo o alarme iniciou uma onda que atingiu todos. De médicos a parlamentares e ministros. Enquanto isso, as decisões sobre o melhor modelo para cuidar da saúde do brasileiro aguardam sérias discussões, envolvimento genuíno de todos os responsáveis para resolver de fato os males do nosso SUS que afligem a maioria dos brasileiros. Criar e exigir condições mínimas adequadas em todos os hospitais públicos ou privados em todos os municípios e regiões do País, além de nas instituições de ensino formadoras de médicos e enfermeiros, organizar e regulamentar a atuação da medicina suplementar privada são urgências nacionais.

Discutir e estabelecer um novo modelo de saúde no Brasil tem de acontecer logo. Estamos atrasados demais. E os doentes ainda aguardam de seis a oito meses para ter sua primeira consulta com diagnóstico de doenças graves. Não precisa acreditar em mim. Ligue para qualquer hospital público e tente marcar uma consulta. É claro, não vale recorrer ao auxílio de um político para arrumar encaixe ou furar a fila.

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