Você está aqui: Página Inicial / Revista / A águia é o Big Brother / A política na era dos apps
Número 756, Julho 2013

Tecnologia

Tecnologia

A política na era dos apps

por Felipe Marra Mendonça publicado 09/07/2013 09h56
Lições de política digital com o primeiro-ministro japonês e seu game para fisgar adolescentes
Divulgação
abe pyon

Abe online. Hirai, do PLD, e o game eleitoral

O uso da tecnologia em campanhas políticas é algo corriqueiro. A campanha de Barack Obama, por exemplo, usou o poder das estatísticas e uma equipe de engenheiros de software para saber precisamente como interessar o público jovem e atraí-los para as urnas, o que garantiu a sua reeleição. O primeiro-ministro japonês Shinzo Abe também quer usar a tecnologia a seu favor, com um aplicativo. O objetivo é a vitória do seu Partido Liberal Democrata (PLD) na eleição de 21 de julho para o Senado, mas a abordagem da sua equipe é bem diferente.

Com objetivo de alavancar o voto da população mais jovem, criado e patrocinado pelo próprio partido, o jogo Abe Pyon (algo como Abe Pula) leva o jogador a controlar o primeiro-ministro, que vai saltando de plataforma em plataforma, cada vez mais alto nos céus sobre o Parlamento japonês. Com variações conforme a pontuação, o jogador acessa informações sobre Abe e a plataforma eleitoral do seu partido, além de poder trocar as roupas do primeiro-ministro por algo mais leve, um jeans, shorts ou capa de super-herói. Segundo Takuya Hirai, chefe do departamento de estratégia online do PLD, o jogo pode ser uma boa maneira de informar a juventude japonesa, além de despertar um pouco mais de interesse na política.

“Existiam temores de certa distância do PDL em relação aos jovens, com os quais não teríamos essa intimidade. Essas pessoas não nos conhecem”, disse à agência Reuters Takuya Hirai, da equipe de estratégias online do partido. “Realmente faz com que o jogador pense em política. Me faz pensar que eu deveria votar nele”, diz Emi Yamada, estudante de 22 anos. Outros não se mostram tão interessados, caso de um entrevistado que disse que o jogo era somente uma diversão e que “não passava disso”.

Menos de metade da população japonesa entre 20 e 24 anos interessou-se em votar nas eleições legislativas de 2009, segundo informações do Ministério do Interior do país. Não será um aplicativo engraçado que mudará o panorama, mas ao menos é uma ideia original.