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Número 753, Junho 2013

Cultura

Calçada da Memória

Megera indomada

por José Geraldo Couto — publicado 19/06/2013 09h48, última modificação 19/06/2013 11h47
Agnes Moorehead, famosa na pele de Endora, a bruxa-mãe de A Feiticeira, tem um currículo que vai muito além da série de tv
Moorehead

Agnes Moorehead. De Cidadão Kane à icônica bruxa-mãe

Ela ficou famosa na pele da intratável Endora, a bruxa-mãe da série de tevê A Feiticeira. Mas o currículo de Agnes Moorehead (1900-1974) tem mais de cem filmes, e o primeiro deles foi nada menos que Cidadão Kane (1941).

Ao chegar a Hollywood pelas mãos de Orson Welles, com quem trabalhara nas emissões radiofônicas do ­Mercure Theatre, Agnes trazia uma bagagem notável. Filha de um pastor presbiteriano, atuara desde os 3 anos em autos religiosos e, posteriormente, cantando e dançando na St. Louis Municipal Opera. Graduada em inglês e doutorada em literatura, lecionou inglês e teatro em escolas públicas, estudou pantomima com Marcel Marceau em Paris e teatro na Academy of Dramatic Arts em Nova York.

No palco, no rádio e nas telas, com seu rosto e sua voz de megera, viveu quase sempre personagens secundárias fortes, fossem elas mundanas ou sofisticadas. Foi indicada quatro vezes ao Oscar de coadjuvante: por Soberba (Welles, 1942), Mrs. Parkington (Tay Garnett, 1944), Belinda (Jean Negulesco, 1948) e Com a Maldade na Alma (Robert Aldrich, 1964).

No fim dos anos 1950, passou a ­atuar mais na tevê. Conservadora e profundamente cristã, criticava a permissividade dos novos tempos e antipatizava com o “método” do Actors Studio: “Teatro não é realidade. Se você quer realidade, vá ao necrotério”.

DVDs

Jornada do Pavor (1943)
Intrincado thriller de espionagem dirigido por Norman Foster e Orson Welles. Um engenheiro americano de armamentos (Joseph Cotten) sofre um atentado em Istambul e é convencido por um agente da inteligência turca (Welles) a deixar a cidade num barco a vapor. Moorehead é a mulher francesa de um dos passageiros.

Sublime Obsessão (1954)

Neste melodrama rasgado de Douglas Sirk, um playboy arrogante (Rock Hudson) que causou indiretamente a morte de um médico abnegado corteja a jovem viúva deste (Jane Wyman), mas ela sofre um acidente e fica cega ao tentar fugir dele, que procurará ajudá-la em segredo. Moorehead é a melhor amiga da enteada da viúva.

Com a Maldade na Alma (1964)
No Sul dos EUA, solteirona (Bette Davis) enlouquecida pelos fantasmas do passado e suspeita de ter matado um pretendente 40 anos antes vive isolada com sua criada fiel (Moorehead), até que uma nova estrada ameaça expulsá-la de suas terras. Drama na fronteira do horror, bem ao gosto do diretor Robert Aldrich.