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Número 753, Junho 2013

Economia

Cenário econômico

A economia repete erros

por Mauricio Dias publicado 15/06/2013 06h56
Segundo Laura Carvalho, economista da FGV, o governo enterra o PIB
Fabio Rodrigues Pozzebom / ABr
Guido

Guido Mantega anuncia que o governo zerou o Imposto sobre Operações Financeiras das operações de compra e venda de dólar no mercado futuro, nesta quarta-feira 12

A leitura dos jornais e revistas, ressalvadas as exceções de praxe, projeta um cenário econômico catastrófico. Suficiente para abalar as projeções das pesquisas eleitorais em torno do favoritismo da presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição em 2014.

A direita projeta e torce pela catástrofe. A esquerda projeta erros e teme que isso ocorra. Impossível, no entanto, dizer que não há um problema embutido na questão. Parece um erro repetido.

É como pensa Laura Barbosa de Carvalho, doutora pela New School for Social Research e professora da Escola de Economia da FGV-SP. Ela acredita que o ministro Guido Mantega bateu o último prego no caixão da opção econômica do governo, na quarta-feira 12, ao anunciar que cumprirá meta de superávit de 2,3% do PIB. O crescimento, em consequência, teria ido para o espaço.

A opção anunciada por Mantega “leva a crer que o governo federal fará novos cortes de gastos e, principalmente, de investimentos públicos da ordem de 0,5% do PIB”.

Segundo Laura Carvalho, “se a inflação mais alta fosse mesmo fruto de um improvável excesso de demanda, uma política de contração fiscal poderia aliviar o esforço necessário da política monetária no combate à inflação. No entanto, se essa inflação for de fato fruto de aumento de custos (incluindo aí o efeito da própria desvalorização cambial) e a demanda estiver crescendo abaixo do produto potencial, uma contração adicional da demanda por meio de cortes nos gastos públicos pode encerrar qualquer esperança de recuperação do crescimento econômico”.

O Brasil, neste caso, repetiria o mesmo erro de diagnóstico de 2011, em vez da sua correção.

Naquele ano, lembra, “para resolver o problema da falta de competitividade internacional, o câmbio foi desvalorizado. Para isso, foi reduzida a taxa de juros que, por estar bem acima do nível internacional, ajudava a atrair grande volume de capital especulativo. Por fim, para evitar a suposta inflação de demanda, cortaram os gastos públicos".

Ela adverte: “O resultado foi um fracasso. O câmbio desvalorizou-se, mas, devido ao aprofundamento da crise europeia e à contração da demanda global em 2012, passou longe do que seria necessário para estimular as exportações”.

Segundo a professora, “a inflação, como em todos os anos em que houve desvalorização cambial, com exceção de 2008, atingiu o teto da meta”.

O cenário subsequente já se sabe.

A inflação mais alta levou a uma desaceleração do consumo, que cresceu apenas 3,1% em 2012, e parece ter estagnado desde então. O investimento, que tinha crescido mais de 21% em 2010, contraiu 4% em 2012. E, por fim, o superávit primário do governo federal, excluindo os recursos obtidos com a capitalização da Petrobras de 2010, subiu em mais de 1% do PIB em 2011, atuando assim como força adicional de contração da demanda.

A economista não tem dúvida: a estratégia iniciada em 2011, repetida agora, foi equivocada.

O pico do golpe

Descoberto em 1964 e então identificado como o pico mais alto do Brasil, com 2.997,66 metros, foi batizado de 31 de Março, em homenagem à deposição do presidente João Goulart por um golpe de Estado.

Mais tarde, especialistas descobriram o Pico da Neblina, com 20 metros a mais.

Seria interessante, em batismo democrático, dar ao Pico da Neblina o nome do presidente Goulart.

As duas rochas mais altas do País, distantes 700 metros uma da outra, fariam um contraste da história da República e marcariam uma diferença.

O Jango será sempre maior do que o 31 de Março.

Gurgel leniente

Com a cabeça enfiada nas aventuras do mundo político, Roberto Gurgel, procurador-geral da República, descuidou-se da administração.

Ao ordenar a implantação de um novo sistema, chamado “Único”, na tramitação de processos no Ministério Público Federal, provocou a perda de aproximadamente mil processos que envolviam a Procuradoria-Geral.

A perda é monumental. O prejuízo, incalculável.

Juliano Carvalho, procurador-chefe da PGR, tentou resolver a questão diplomaticamente com o Tribunal Regional Federal, mas foi rechaçado.

Papai faz a diferença

No Rio de Janeiro, Letícia de Farias Mello, filha do ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, foi a mais votada na lista tríplice, destinada à presidenta Dilma, para preencher vaga de desembargador do Tribunal Regional Federal.

No Paraná, Octávio Campos Fischer, filho do presidente do Superior Tribunal de Justiça, Felix Fischer, foi o mais votado da lista sêxtupla que será encaminhada ao Tribunal de Justiça do estado. Ato seguinte, o tribunal manda a lista ao governador que escolherá um deles.

Dilma e o governador serão induzidos pela posição na lista ou pelo sobrenome?

Dia dos Namorados

Por coincidência, os caciques do PT na Câmara, de facções diferentes, se reuniram na quarta-feira 12, Dia dos Namorados, para fazer as pazes. Marco Maia, Arlindo Chinaglia, José Guimarães, André Vargas e José Genoino adotaram agenda comum de trabalho para o segundo semestre. Fumado o “cachimbo da paz”, para facilitar a vida de Dilma no Congresso.

Disparos fatais I

São trágicos os resultados do Mapa da Violência (2012) sobre as mortes com armas de fogo no Brasil.

O panorama da evolução da violência letal, entre 1980 e 2010, aponta para um resultado estarrecedor. Morreram cerca de 800 mil pessoas ou, mais precisamente, 799.226 vítimas de armas de fogo.

Em 30 anos, as vítimas por disparos de armas de fogo passaram de 8.710  (1980) para 38.892 (2012).

Disparos fatais II

No início da série, criada pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) e a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), os homicídios representavam, em média, cerca de 70% do total de mortes por armas de fogo.

A partir de 1992 há uma escalada íngreme até 1997. O crescimento muda o ritmo, mas não cessa. Em 2010, as mortes por arma de fogo atingiram 94,6% do total de homicídios (gráfico).

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