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Número 752, Junho 2013

Política

O parceiro de fato

por Mauricio Dias publicado 08/06/2013 09h56
No Congresso, o PSB tem sido muito mais leal ao governo do que o PMDB
Wilson Dias / ABr
Dilma e Gleisi

A chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e a presidente Dilma Rousseff

Por duas ou três vezes, em seguida à complicada votação da Lei dos Portos, Dilma Rousseff reuniu-se com o comando do PMDB, o partido aliado numericamente mais forte da ampla base aliada do governo no Congresso.

A legenda tem quase tudo que quer, embora sempre queira mais: o vice-presidente, vários ministérios e o comando do Senado e da Câmara. Mas não oferece em troca a fidelidade devida. Os números comprovam.

Estudo com avaliação comparativa das votações da base partidária nos dois mandatos de Lula e as votações nos dois primeiros anos de Dilma (2011-2012)  mostra que “o companheiro do PT é o PSB”, como diz o cientista político Fabiano Santos, coordenador, com Júlio Canello, do Núcleo de Estudos sobre o Congresso, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

“Na média, no apoio às votações no governo Dilma, o PSB tem sido o grande aliado e não o PMDB”, explica Santos, que também destaca a relação desequilibrada entre o total de partidos que apoiam Dilma e o número de votos obtidos no plenário do Congresso.

Lula, no primeiro governo, tinha cerca de 50% dos votos da Câmara. Dilma tem, em tese, cerca de 300 dos 513 parlamentares.
“Com minoria nominal, a taxa de apoio obtida por Lula foi, no entanto, melhor”, afirma o pesquisador. Por que razão, com mais partidos na base, Dilma tem mais dificuldade nas votações?

As coisas vão além, muito além, da acusação de que Dilma, Gleisi Hoffmann, chefe da Casa Civil, e Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, são inapetentes na tarefa de fazer política.  “A agenda de Dilma entra em conflito com a base de apoio. Notadamente com os interesses de parlamentares do PMDB”, avalia Santos.

Além disso, a presidenta modificou o sistema de funcionamento entre o Planalto e o Congresso. Ela envia a proposta e vai negociar com a Casa depois. Ou seja, ela não negocia antes nos gabinetes, locais mais favoráveis a transações duvidosas. Os interessados são forçados a abrir seus interesses na hora de votar.

“O fato de a coalizão nominal não corresponder sempre à coalizão efetiva leva a crer que existem razões outras que não a do suporte no Legislativo para manter uma base de apoio tão grande. E essas razões certamente são partidárias e eleitorais, isto é, têm a ver com outro jogo para além daquele que é jogado quando se discutem e se votam matérias de interesse do governo.”
Em outras palavras, há uma coalizão governativa, na qual o PT e o PSB são os parceiros mais próximos, e uma coalizão partidária eleitoral (quanto maior melhor), na qual o PT e o PMDB são os ­principais parceiros.

Festa à vista I
Há uma expectativa nos institutos de pesquisa sobre uma possível queda na avaliação do governo Dilma.
No Ibope de março, a presidenta, em ascensão, alcançou recorde de apoio desde o início da administração: 63% dos eleitores consideraram o governo “ótimo e bom”. Já se constatou essa queda em alguns estados. Mas pode haver compensação da perda em outros.

Festa à vista II
Ainda não há argumentação segura para explicar isso: efeito do “mensalão”? O preço do tomate? A alta do dólar?
Há quem considere o episódio, se confirmado, como parte de um vaivém comum em avaliações que alcançam níveis tão elevados de ­aprovação.

A queda, se houver, provocará um curioso choque de números: a intenção de voto na presidenta está estabilizada.
É cedo, porém, para a oposição dobrar os sinos.

Peso e medida
Do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos no blog www.ocafezinho.com: “Os antigos jornalões apequenaram-se. São hoje nanicos”.

Vento liberal
Com Luís Roberto Barroso o STF ganhou sotaque mais carioca.

Nascidos no Rio, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski e Luiz Fux, embora de inclinações políticas e comportamentos diferenciados, formam uma maioria.

Há dois paulistas: Celso de Mello e Dias Toffoli; dois mineiros: Cármen Lúcia e Joaquim Barbosa; um gaúcho: Rosa Weber; um ­catarinense: Teori Zavascki; e Gilmar Mendes, de Mato Grosso.

Sopra um vento mais liberal na Corte, com os dois últimos recém-chegados.

Tucanos e urubus
Pela primeira vez, no dia 30 de maio, o senador tucano Aécio Neves apresentou um programa do PSDB, na televisão, para atrair eleitores das classes C, D e E.

Esse grupo, identificado com o Flamengo, é a “urubuzada” nos estádios de futebol. O apelido Urubu, nascido do preconceito, foi canibalizado com sucesso.

A avaliação do programa foi negativa, segundo os próprios aliados. Analisa Cesar Maia (DEM): “Um programa sem despertar entusiasmo, sem atrair eleitor”.

Não basta tirar o paletó e a gravata. Nem usar truques fáceis no discurso.

Não é fácil, decididamente, transformar tucano em urubu.

Páreo em Minas
Com mais de 40% das intenções de voto, a pré-candidatura do ministro Fernando Pimentel ao governo de Minas Gerais navega em águas mansas.

Pesquisa recente do Instituto Vox Populi testou o nome de Pimentel com adversários diferentes.

Quem mais se aproxima dele é o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, um “aecista” do PSB, com 14%.

Todos os outros concorrentes testados ficam abaixo de 5%.

Não é vitória assegurada. É uma grande largada.

Uma vez Flamengo
A comissão criada para averiguar contas da administração da ex-nadadora Patrícia Amorim na presidência do Flamengo encontrou gastos de 7 milhões e 200 mil reais sem comprovantes.

Da boca do caixa para o bolso de alguém.

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