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Número 750, Maio 2013

Política

Mauricio Dias

Aécio vs. Eduardo Campos

por Mauricio Dias publicado 24/05/2013 12h00, última modificação 25/05/2013 09h20
Se assim for, o senador e o governador disputam o espaço onde só cabe um
Marcos Méndez
Dilma copa

Tudo bem? Dilma mantém a tranquilidade diante de Eduardo. Rebelo observa de perto. Aécio, de longe.

Dilma Rousseff, candidata à reeleição, segue à frente das duas opções presidenciáveis, prováveis, da oposição: o tucano Aécio Neves e Eduardo Campos, presidente do PSB.

À margem da candidatura petista, no entanto, já existem marcas da competição travada entre o senador do PSDB e o governador pernambucano. Eles disputam o espaço onde só cabe um. Isso é fator de formação de atrito e, certamente, gerador de canibalismo. Fato inevitável quando dois candidatos buscam o mesmo eleitor.

Aécio Neves ainda tem mais chances. Representa Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do País, com mais de 15 milhões de votos. Além disso, já é conhecido por quase 50% do eleitorado brasileiro.

Eleito presidente nacional do PSDB, Aécio tentará se aproximar das classes mais pobres da população. É o que explica, por exemplo, a presença dele no programa de televisão do partido, na terça-feira, 21, sem gravata e, às vezes, sem o paletó. Terá também encontro com os espectadores do Programa do Ratinho, apreciado pelas camadas C e D da pirâmide social, onde os tucanos têm poucos votos. Eleitoralmente, os mineiros têm dificuldade em conquistar os paulistas. Na eleição de 1954, Juscelino Kubitschek obteve 250 mil votos em números redondos. O principal adversário dele, Juarez Távora, passou dos 600 mil e Adhemar de Barros chegou a quase 900 mil. JK só superou Plínio Salgado, que alcançou 160 mil votos. Já então, não se mistura ao café (paulista) o leite (mineiro), comum na Velha República.

Eduardo Campos também terá dificuldades para arrancar porcentual expressivo dos mais de 30 milhões de eleitores registrados em São Paulo. Um grande número deles de nordestinos como, por exemplo, o pernambucano Lula.

Se Campos confirmar a candidatura, dará um primeiro passo para quebrar uma tradição avoenga. O pernambucano Miguel Arraes, de prestígio político nacional, nunca conseguiu cruzar as fronteiras do estado. Uma das razões: tinha marcada posição de esquerda na década mais quente da “guerra fria”.

Talvez por isso, embora tripulando uma sigla (PSB), registrada como socialista, faz uma inflexão para o centro. Ele tenta, assim, abrir passagem entre eleitores mais conservadores. Mas borra a imagem do partido. Nesse item, empata em dificuldades com Aécio Neves, que, ao contrário do que se espalha, não uniu os tucanos. Uniu? Pergunte ao Serra.

“A candidatura de Eduardo Campos é irreversível”, afirma o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. Mas é preciso esperar a oficialização.

Campos pode construir a candidatura dele e desconstruir o partido que preside.

Há figuras influentes no PSB contrárias ao rompimento com a candidatura Dilma. Pelo menos quatro dos seis governadores do PSB reagem a isso. Cid Gomes (CE), Casagrande (ES), Capiberibe (AP) e Ricardo Coutinho (PB).

Andante Mosso

Escolha de Dilma?
A indicação do constitucionalista Luís Roberto Barroso para o Supremo Tribunal Federal resgata dívida de Lula com o jurista e historiador Raymundo Faoro (1925-2003).

Faoro, em 2003, recomendou a Lula o nome de Barroso para uma das três vagas abertas no STF. A escolha foi por Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Cezar Peluso.

Faoro morreu antes. Consta que Lula se arrepende.

A carta, encaminhada pelo ministro Sepúlveda Pertence ao presidente Lula, foi engavetada.

Assim falou Geisel I

Os militares não podem mais esconder que a tortura tornou-se uma política de Estado durante a ditadura. Não foi excesso de alguns e, muito menos, crimes cometidos nos porões do regime à revelia dos oficiais.

Geisel, penúltimo general-presidente, iniciador do processo de “abertura política”, foi pintado, ainda no poder, com tintas simpáticas de jornalistas apressados.

Ele mesmo, no entanto, não buscou dar retoques liberais à própria imagem. Isso está claro no livro Ernesto Geisel de Maria Celina D’Araujo e Celso Castro, onde assume posição nítida na história.

“Acho que tortura em certos casos torna-se necessária, para obter confissões.”

Assim falou Geisel II
Outras afirmações colhidas no livro consolidam a tortura como método oficial  de repressão ditatorial:

– “Era essencial reprimir. Não posso discutir o método de repressão...”

– “No tempo do governo Juscelino, alguns oficiais (...) foram mandados à Inglaterra (...) Entre o que aprenderam havia vários procedimentos sobre tortura.”

– “Ele (general Ednardo D’Ávila, comandante militar de São Paulo) não torturava, mas, por omissão, dava margem à tortura.”

Esta última frase refere-se aos assassinatos do jornalista Herzog e do operário Fiel Filho.

Última página

Ipanema homenageia o humorista Millôr Fernandes, morador do bairro. A escultura, Banco do Millôr, no Arpoador, reverencia o pôr do sol (foto na página 98), aplaudido por cariocas e turistas entusiasmados.

Copacabana é a praia mais bonita da orla da zona sul carioca. O Arpoador, entretanto, é o mais encantador recanto de todas as praias.

Espólio de Prestes I

Não tem sido fácil manter a união da família de Luiz Carlos Prestes em torno das homenagens ao legendário líder comunista, falecido em 1990.

Anita, mais próxima ao comportamento rígido do pai, condena o que acha inadequado. O outro ramo da família é mais flexível. Aceitou, por exemplo, a devolução simbólica do mandato de senador que Prestes ganhou com o voto popular e perdeu após a cassação do Partido Comunista.

Espólio de Prestes II

Nessa ala “prestista” da família, há quem também tema excessos e já se preocupa com o movimento para que o Exército dê ao “velho” o galão de general. E se, após isso, forem requeridos os provimentos?

Prestes, quando recebeu o título de Cidadão Carioca, pediu ao então prefeito Marcello Alencar que distribuísse o dinheiro proveniente do prêmio a pais de família com rendimento de um salário mínimo.

Base podre
O PMDB, partido da base governista, foi o que mais negou fogo na luta pela aprovação da Medida Provisória dos Portos.

Isso explica o diálogo entre o deputado Henrique Alves, presidente da Câmara, e a presidenta Dilma Rousseff.

– Tudo bem, presidenta?

–  Não, né, Henrique!...

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