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Número 749, Maio 2013

Cultura

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No melhor lugar

por Ana Ferraz publicado 18/05/2013 15h28
Manoelzinho Salustiano traz a São Paulo o maracatu do baque solto
Veronica Manevy

CORTEJO DA VIRADA
Maracatu Piaba de Ouro
Sábado 18, a partir das 17h00
Vale do Anhangabaú, Centro
http://viradacultural.prefeitura.sp.gov.br

Enquanto na terra houver um Salustiano a cultura do maracatu existirá. Quem garante é o herdeiro natural do grande Mestre, Manoel Salustiano Soares Filho, de 43 anos, 29 dos quais de dedicação exclusiva à manifestação cultural pernambucana, cuja origem é atribuída a matrizes indígenas e africanas fundidas a folguedos praticados em engenhos de cana da Zona da Mata Norte do Estado. “O maracatu é minha vida, não consigo me ver em outra atividade a não ser dentro dessa cultura em que se aprende como numa faculdade”, diz a CartaCapital o primogênito do músico e artesão que em 11 de setembro de 1977 criou o Maracatu Piaba de Ouro. “Vivo disso e para isso. Aprendi com meu pai e me qualifiquei com mestres amigos dele”,  diz Manoelzinho, que vem a São Paulo participar da Virada Cultural. Em sua companhia, 30 dos 220 integrantes do Piaba de Ouro participam do Cortejo da Virada. Sábado 18 eles se unem a outras manifestações culturais que partem do Vale do Anhangabaú rumo ao Minhocão, no Centro.

Manoelzinho nasceu e se criou no terreiro de maracatu. Aos 14 anos começou os primeiros trabalhos artesanais, hoje conhecidos dentro e fora do País. “Fazia cada coisa feia e meu pai dizia que era bonito, aí eu me dedicava mais ainda. Ele falava que eu seria um artista e eu acreditei.” Dos outros 14 irmãos, 11 estão no grupo que Salustiano criou para matar a saudade da cultura de sua terra, Aliança. Quem lidera o folguedo é um dos filhos mais novos do Mestre, Dinda Salu, “menino que improvisa como um poeta”. Mesmo reduzido, o cortejo vem com representação completa, caboclos de lança, rei, rainha, baianas, músicos. Nas coloridas fantasias confeccionadas pelos integrantes estão pedreiros, motoristas, trabalhadores rurais, gente comum a viver momentos iluminados. “O maracatu nos ensina que somos todos iguais, tanto faz um traje de 3 mil reais quanto um de 100. Quando estamos ali nos sentimos no melhor