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Número 749, Maio 2013

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Copa das Confederações

A nova "família Scolari"

por Afosinho — publicado 19/05/2013 09h51, última modificação 19/05/2013 10h10
"Eu convoco quem eu quero e vocês fazem o que quiserem", esbravejou um incomodado Felipão durante o anúncio dos selecionados para a Copa das Confederações
Daniel Garcia / AFP
Luiz Felipe Scolari

Luiz Felipe Scolari durante treino na Copa em 2002.

Nem kaká nem Ronaldinho ou Nem. E ninguém com capacidade individual para levar uma bola à linha de fundo.

Embora pareça estranho, o nome do jogador do Fluminense nesse grupo explica-se.

Há situações em que é necessária a presença de um jogador com capacidade de abrir uma defesa fechada em partidas muito equilibradas, quando se precisa vencer ou virar um placar adverso. A extraordinária habilidade do Neymar pode não ser suficiente. Concordo que o Nem não tem mantido uma boa sequência de jogos, muitas interrupções, não poderia ser chamado agora, mas o que interessa é ter um jogador com essas características.

Não há nenhum outro no futebol brasileiro? Desolador.

Em uma semana repleta de festejos de campeões regionais brasileiros, nacionais europeus, e expectativa excitante dos que ainda disputam seus títulos, a convocação da Seleção dá o que falar. Em primeiro lugar, há uma tendência a se pensar que este é o time que vai jogar a Copa do Mundo.

Certo que sairá dali a coluna vertebral da futura “família Scolari”. Muita coisa ainda pode, no entanto, mudar. A começar pelo gol, há muitas posições em aberto. Ramires, por exemplo, deve voltar a ser lembrado. Boa oportunidade ao Hernanes, jogador de muitos recursos.

Estranho também a um ano do início do mundial estarmos nessa situação constrangedora. A insegurança vai da cabeça aos pés da CBF. Ato falho do presidente ao dizer que espera contar com Felipão e Parreira também na Copa de 2014. Sua situação não é nada confortável diante das acusações contra ele.

Em tão pouco tempo, por todas as razões, a melhor solução é a saída de José Maria Marin. Os problemas são muitos, e a instabilidade no ambiente só pode prejudicar.

Quanto ao treinador, tem sido evidente o mal-estar de Felipão ao ter de se submeter às circunstâncias. Engolir sapos nunca foi do seu feitio, e as pressões tendem a crescer, sem tempo para diluir a cólera. Na própria coletiva de apresentação da lista de convocados, a certa altura, mandou esta: “Eu convoco quem eu quero e vocês fazem o que quiserem”.

Quanto ao Ronaldinho, sempre me intrigou sua posição no conjunto. Individualista, transformou-se graças ao seu talento numa “prima-dona” do futebol. Ficamos diante de uma contradição.

Sua função na Seleção seria a de emprestar a larga experiência para fazer o cimento entre as diferentes valências do time.

Talvez por isso, ou apenas como “política”, Scolari deu ao conterrâneo a faixa de capitão no jogo de Belo Horizonte contra o Chile. Ronaldinho é estrela, não liderança. Teria o Felipão desistido do craque?

Agora, resta esperar o desfecho.

O gaúcho fica na expectativa de convocação para a Copa, pois não tem nada mais a provar, e está fazendo grande campanha no Atlético. Não acredito, embora seja larga a lista de estrelas barradas por Felipão ao longo de sua história.

Preocupado em não esquecer, deixar para depois e perder o pé dos Jogos Olímpicos, ou só lembrar quando estiver em cima da hora, assisti a uma entrevista excelente com o grande campeão Lars Grael.

Dentro de sua capacidade, tem acrescentado extraordinário conhecimento administrativo à notável bagagem atlética, sem falar em seu grande poder de análise e equilíbrio.

Lembra a pouca importância do esporte na política. Há pouco tempo com “status” de ministério, é o patinho feio servindo de massa de manobra política. Abordou ainda a questão do voto unitário, que dá pesos iguais a clubes de importâncias distintas.

Como resumo de seu comentário, restam duas possibilidades. Fazer uma Olimpíada parecida com a de Barcelona e de outras cidades que avançaram nos ganhos urbanísticos e no desenvolvimento esportivo. Ou acumular prejuízos em todos os sentidos, como Atenas. Responsabilidade.

No varejo, discute-se o interesse,  já negado, do Bayern de Munique por Neymar, indicado pelo seu novo treinador, Guardiola.

Caso o Santos tenha de negociar seu craque talvez seja a melhor opção, mas só deveria ir depois da Copa de 2014.

Nova viagem do executivo da Fifa para acompanhar o andamento dos compromissos gera falsa crise com o Corinthians e desilusão por aqui. Revelou que cuida das exigências do Mundial. Os ditos “legados” podem ficar pra depois. Deixa pra lá.