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Número 748, Maio 2013

Tecnologia

Google Glass

Óculos à George Orwell

por Felipe Marra Mendonça publicado 13/05/2013 09h20, última modificação 13/05/2013 09h43
O Google Glass não chegou às lojas, mas rende polêmica para o site de buscas
Google Glass

1984. "Quando um hacker invadir os óculos, terá muito mais poder", diz especialista. Foto: Ole Spata/ AFP

O projeto google Glass começa a suscitar opiniões fortes. Existe algo de muito sedutor em usar óculos capazes de inserir informações em uma pequena tela, sobrepondo, a todo instante, a internet e a realidade.

Alguns percebem no aparelho uma constante invasão da privacidade alheia, pois ele tem entre as funções o poder de tirar fotos ou gravar vídeos de qualquer pessoa em sua mira.

O problema foi colocado de forma sucinta e muito precisa pelo colunista Shane Hegarty, do Irish Times. “Imagine o futuro próximo. Algum ponto do próximo ano. Você, meu senhor, está em um banheiro público e um homem chega para usar o mictório ao seu lado. Ele faz um gesto com a cabeça, tenta ser educado. Aí você percebe que ele está usando o Glass e tirou uma foto sua, enquanto você fazia as suas necessidades. Algo próximo de uma celeuma estaria ali instaurada.”

Qualquer grande lançamento tecnológico sempre traz consigo reações extremas. O anúncio e a subsequente decepção com o Segway, o descrédito imediato após o lançamento do iPod, ou o exemplo clássico da previsão de Thomas J. Watson, então presidente da IBM, para quem o mercado mundial teria “no futuro” espaço para talvez uns cinco computadores.

A ambição dos óculos do Google, no entanto, é inegável. Alguns comentaristas o compararam aos triunfos da Nasa, nos anos 1950 e 60, um exagero absurdo, mas uma conexão constante à internet permite delegar a memória para a rede. Não seria mais preciso lembrar o telefone daquele amigo, o horário do próximo voo ou da agência bancária mais próxima.

Mais que isso, como exemplifica o colunista do Irish Times, toda pessoa com um Glass na cabeça torna-se uma espécie de câmera de segurança ambulante. Milhares de câmeras a gravar coisas a todo instante. Isso sem entrar no mérito da segurança dos dados contidos nele. O programador Jay Freeman, especialista em segurança de sistemas operacionais como o Android e o iOS, afirma ser possível hackear um Glass.

“Quando um hacker invadir os seus óculos, terá muito mais poder do que se tivesse acesso ao seu computador ou ao seu telefone. Ele tem controle de uma câmera e um microfone conectado à cabeça. Um Glass infectado não só transmite todos os seus movimentos, ele também vê tudo que você vê e escuta tudo que você ouve.”

Bem-vindos a 1984.