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Política

Pequenas Utopias

Voto a favor, voto contrário

por Milton Nogueira — publicado 01/10/2010 09h15, última modificação 01/10/2010 17h15
Numa eleição deveras democrática, cada eleitor deveria receber duas cédulas, uma para o voto a favor e outra para o voto contrário. Somente assim a democracia estaria assegurada, pois permitiria ao eleitor exercer o direito de oposição. É no que acredita o colunista Milton Nogueira

Numa eleição deveras democrática, cada eleitor deveria receber duas cédulas, uma para o voto a favor e outra para o voto contrário. Somente assim a democracia estaria assegurada, pois permitiria ao eleitor exercer o direito de oposição

A democracia é o único regime que permite ao cidadão ser contra, dentro da lei. Os demais regimes recusam ou reprimem esse direito e permitem ao cidadão apenas ser a favor ou neutro, jamais o ser contra. Portanto, para funcionar bem, a democracia precisa garantir ao cidadão aquilo que a distingue dos demais regimes, o direito legal de ser contra.

Eleições no mundo todo são feitas somente com o voto a favor e não há como distinguir a democracia da ditadura, pois esta também permite o voto a favor. Muitos ditadores do mundo se submeteram a eleições e foram “reeleitos”, sempre com votos a favor. Pinochet, Stroessner, Sadam, Tito, Salazar, Franco e inúmeros latinoamericanos, africanos e asiáticos são exemplos de governantes anti-democráticos que foram eleitos com votos...a favor.
No Brasil, há muitos políticos que, embora rejeitados por muitos, acabam sendo eleitos por poucos, lamentavelmente com votos suficientes para ganhar o cargo. O voto a favor, sozinho, não garante a democracia.

As eleições atuais não detectam verdadeiramente a vontade da maioria dos cidadãos um dos traços da democracia - pois não levam em conta a rejeição dos eleitores ao candidato. É uma democracia pela metade.

Para que uma eleição seja democrática, cada eleitor deveria receber duas cédulas, uma para o voto a favor do candidato preferido e outra para o voto contrário ao candidato que ele não quer. Seriam apurados os votos a favor, os contrários e o saldo de votos. Assim, estaria eleito o candidato com o maior saldo de votos. Puro, simples e democrático.

A primeira eleição seria talvez um pouco confusa para o eleitor e o candidato, mas as vantagens seriam tão grandes que ambos aprenderiam logo, para a eleição seguinte. Para Jorge Colaço, empresário carioca, um candidato que atingisse determinado piso de rejeição não estaria eleito, mesmo que tivesse os votos para isso.

De início, a vantagem seria a imediata exclusão de políticos “profissionais”, picaretas, enganadores, populistas, marqueteiros, tudo de acordo com as regras democráticas, pelo voto, nesse caso tanto o voto a favor quanto o contrário.

Mas a principal vantagem seria fazer funcionar plenamente a democracia, ao dar ao eleitor aquilo que a distingue, o direito de oposição legal.

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