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Crônica

Um jantar ao estilo de Brasília...

por Tão Gomes — publicado 24/08/2011 14h45, última modificação 24/08/2011 14h45
Sarney faz piada sobre uso de helicóptero, mas Dilma não ouve. A festa com os peemedebistas, lembrou a presidenta, era para beber, não para conversar

Mais de 100 convidados no salão. E não era um salão qualquer...Era no Jaburu, o palácio do vice-presidente da República, onde os mármores de Oscar Niemeyer devem ter presenciado momentos de alguma forma mais solenes. E a descrição do ágape, feita no Blog do Josias, na Folha, é primorosa. Deveria usar aqui a palavra "genial" . Mas ela está desgastada pelo uso. Todo jornalista, quando escreve sobre um coleguinha, sempre usa o adjetivo "genial". Acabou vulgarizado. No texto primoroso de Josias de Souza, ficamos sabendo que, enquanto aguardavam a convidada de honra, rodinhas se formavam e se desfaziam, num balé harmonioso que dispensa a música. Nessas ocasiões, quem comanda a coreografia é, em geral, o garçom com a bandeja do uísque.

Dessa vez, na falta de uísque (serviu-se vinhos e refrigerantes) as rodinhas formavam-se ao acaso

Numa delas, pontificava o presidente do Senado, José Sarney.

Aproveitou a descontração do ambiente para contar, com um sorriso malicioso, que Aécio Neves lhe telefonara a propósito do caso do helicóptero, e lhe disse, brincando, que na próxima vez que precisasse de um, era só ligar que ele lhe arranjaria um.

Risos generalizados na rodinha, onde estava  Gilberto Carvalho, que, secretário da presidenta, convive diariamente com  Dilma. Josias não dá detalhes sobre a atitude de Carvalho. Não sabemos, assim, se ele sorriu ao ouvir o relato de Sarney, e como teria sido o seu sorriso.

Provavelmente, apenas diplomático, " itamaratyano". Ou seja, bem no estilo brasiliense, quando alguém mais graduado conta uma piadinha.

Dilma, àquela altura, já estava presente, mas não ouviu o que Josias chama, com sabor, o "chiste" de Sarney.

A festa foi organizada pelo dono da casa, o vice Michel Temer, especialmente para a presidenta encontrar-se, num evento social, com o bom e velho PMDB, esse guardião da governabilidade. E a presença sempre registrável de Marcela Temer, a dona da casa, era sinal de que não se tratava de política, embora se respirasse um clima de confraternização entre os dois maiores partidos governistas.

Do PT, compareceram alguns parlamentares, poucos, e ministros, só os que habitam o Planalto. Tudo preparado por Temer para Dilma "sentir-se em casa", como ela mesma admitiu.

Já o PMDB veio em peso. As exceções foram Pedro Simon, que ninguém esperava que viesse, o extravagante Roberto Requião e Jarbas Vasconcellos, que tinha um bom motivo para se ausentar: aniversariava naquele dia. Mas que mereceu um telefonema de parabéns do impecável vice-presidente Michel Temer. Dilma Rousseff, circulando pelo salão, teria que topar com o ministro Pedro Novais. Trocaram um cumprimento e um sorriso mútuo.

No mais, foi como sempre, formal, elogiou a fidalguia de Marcela, referiu-se a Temer como "meu vice", recobriu Sarney de afagos, e encerrou seu breve discurso com um chiste (perdão, mas na correria, até os melhores textos repetem palavras) à Lula: "Nós viemos aqui para beber, não para conversar"... E  transcrevendo literalmente o que publicou Josias..."(Dilma) deixou atrás de si um rastro de gentilezas que tonificou a sensação de que decidiu seguir os conselhos de Lula, achegando-se de vez ao PMDB".

Terá sido um bom conselho, o de Lula? Não sei. Talvez necessário. Lástima.

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