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Eleições 2014

Twitter: Qual o "poder" de Aécio, Dilma e Campos?

por Renan Truffi publicado 05/06/2014 04h38, última modificação 06/06/2014 05h26
Levantamento exclusivo de especialistas da Universidade Federal do Espírito Santo mapeou o número de apoiadores e opositores dos presidenciáveis na rede social
Reprodução/UFES
Dilma Rousseff

Gráfico da UFES mostra tamanho da rede de apoiadores (vermelho) e opositores (azul) da presidenta Dilma no Twitter

Ainda que o clima seja de pré-campanha entre os partidos, nas redes sociais o exército de militantes de PT, PSDB, PSB já está formado e em clima de guerra para defender e atacar seus candidatos e adversários. Se a internet teve um papel secundário em 2010, neste ano promete impactar as campanhas presidenciais. A quatro meses da eleição, o Facebook já foi protagonista de um atrito envolvendo PT e PSDB em relação ao perfil da personagem Dilma Bolada. Neste contexto, qual deve ser o peso dos partidos no Twitter?

Para tentar entender o tamanho da influência do Twitter, o Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) fez um levantamento exclusivo, a pedido de CartaCapital, que mapeou o número de apoiadores e opositores da presidente Dilma Rousseff (PT), do senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), os três principais candidatos ao Planalto, assim como a quantidade de postagens que cada um deles publica a respeito dos pré-candidatos na internet durante um mês.

Entre os dias 17 de abril e 21 de maio, o Labic registrou todos os tweets sobre os três candidatos e, com base no conteúdo compartilhado e nas opiniões publicadas, reuniu os apoiadores e opositores de cada um deles. Por ser a presidenta e estar ligada a questões como Copa do Mundo e manifestações, Dilma foi a mais citada dos três. No total, foram 96.989 tweets sobre a petista, aproximadamente 54% das mensagens que citavam algum dos candidatos analisados. Atrás de Dilma ficou Aécio Neves, mencionado em 47.082 (26,73%) publicações, e Eduardo Campos, com 34.419 (19,28%) citações.

Isso não significa que a presidenta está em vantagem. Apesar do PT ser famoso por ter um “exército” de militantes ativos nas redes sociais, a presidenta tem um número de opositores no Twitter muito maior de que seus adversários. É a única dos três presidenciáveis que tem um número de oponentes superior ao de apoiadores no período analisado. De acordo com o estudo do Labic, 4384 perfis fizeram oposição ao governo Dilma no Twitter, enquanto que 2593 usuários defendem sistematicamente a pré-candidata do PT.

Uma das razões para este cenário pode ser o impacto de questões como a realização da Copa do Mundo e a CPI do Petrobras, que foi instalada na mesma época da elaboração do estudo. “O mês de abril foi o mês que se iniciou a CPI da Petrobras e a queda de popularidade de Dilma nas pesquisas de intenção de voto. Isso atraiu muita gente anti-Dilma. Isso faz a rede vermelha (militantes do PT) sentir o baque e se encolher um pouco”, explica Fábio Malini, coordenador do estudo da UFES.

Por outro lado, a rede de apoiadores de Dilma é bastante densa no Twitter. Isso significa que os usuários que apoiam o governo da petista costumam interagir muito uns com os outros. Consequentemente, as informações publicadas ou compartilhadas por eles chegam a um número maior de militantes e ajudam a informar o exército e a construir argumentos para rebater a oposição. “As pessoas que estão falando do PT têm laços muito fortes, se conversam bastante”, diz Malini.

Rede raivosa e a polarização

Dos três candidatos, o que tem maior número de apoiadores é Aécio Neves. Durante a análise, foram identificados aproximadamente 3945 perfis a favor do tucano, contra 2.859 usuários que fazem oposição a ele no Twitter.  A superioridade numérica sobre os rivais não se reflete em uma postura, necessariamente, favorável à campanha do partido. “É uma rede muito mais anti-PT do que propositiva. Eles usam muito mais hashtags para atacar o partido de Dilma: Fora Dilma, Fora PT. A rede raivosa é a rede do Aécio, não é do PT não”, argumenta Malini.

Além disso, o estudo da rede do Aécio encontrou fortes indícios da participação de robôs na divulgação de informações positivas para o candidato. Os robôs são perfis falsos que estão programados para ajudar a disseminar informações específicas sobre algo ou alguém durante algum tempo. No período analisado pelo Labic, um perfil chamado @jpmartins45 foi o que mais se destacou por citar o senador do PSDB em um grande número de mensagens. Como é característico dos robôs, o perfil foi apagado pouco tempo depois de espalhar e compartilhar milhares de mensagens. No entanto, o foco do robô parecia ser disseminar na verdade a escolha do pré-candidato ao governo de Minas Gerais, Pimenta da Veiga.

Assim como nas pesquisas de intenção de voto, Eduardo Campos vem atrás de Dilma Rousseff e Aécio Neves em números de tweets. Ele foi citado em 34.419 tweets (19,28% do total) e possui uma rede de apoiadores de pouco mais de 2.900 perfis, contra 2.172 usuários que costumam fazer oposição ao pré-candidato do PSB. O número de críticas contra ele no Twitter não é baixo por acaso. Na opinião de Malini, fica claro que Campos é pouco citado porque PT e PSDB preferem a polarização. “Está muito claro que possivelmente o PT avalia que é muito melhor fazer disputa com Aécio, do que com Eduardo”, afirma. “Eduardo não aparece tanto porque está correndo por fora. Ninguém quer polarizar com ele”, complementa.

Nuvem de tags

O levantamento também analisou quais hashtags, as palavras-chave do Twitter, os militantes mais publicaram sobre cada um dos candidatos, tanto por parte dos apoiadores como dos opositores. As hashtags funcionam basicamente como um índice de termos relevantes que resumem algum assunto. Por meio desse sistema, é possível saber quantas pessoas estão falando sobre aquele mesmo tema. Com essas informações, o Labic montou uma “nuvem de tags”, um gráfico que aglomera os principais termos usados pelos usuários para se referir aos candidatos. Na nuvem, quanto maior a palavra, maior o número de menções a ela.

A “nuvem de tags” de Dilma reflete bem as dificuldades pelas quais o PT passou no Twitter em razão das polêmicas envolvendo o governo. Uma das hashtags mais citadas nos tweets referentes a Dilma foi “Crise Polícia Federal”. Entre todos os candidatos, a nuvem da petista é a que mais tem temas desfavoráveis. Há também, por exemplo, os termos “Fora PT”, “Não Vai ter Copa” e “Corruption” (corrupção). Não se sabe, no entanto, qual o tamanho da influência dos robôs utilizados por concorrentes para alimentar isso.
Nuvem de tags da presidenta Dilma Rousseff mostra os ataques contra o governo
Nuvem de tags sobre a presidenta Dilma Rousseff revela influência da Copa do Mundo na avaliação do governo

Por ser oposição, a nuvem de Aécio Neves traz muito mais críticas e ataques ao PT do que propostas ou algo que deve ser de um eventual governo Aécio. O termo de maior destaque é “Marco Civil Urgente”, já que o senador do PSDB fez oposição ao projeto do governo federal que regulamenta o uso da internet no Brasil. As outras tags são: “PT Mentindo na TV”, “Fora PT” e “Fora Dilma”. As poucas palavras-chave negativas sobre o tucano na nuvem, disseminadas por opositores, são “Aécio Contra MG” e “Arrocho Neves”, em referência à política econômica de arrocho salarial do tucano.


Nuvem de tags construída com base no que mais os usuários do Twitter escrevem sobre Aécio Neves

CartaCapitalJá Eduardo Campos foi um pouco mais atingido por militantes petistas que ainda o criticam por ter saído da base aliada para disputar as eleições contra Dilma. Um dos termos de maior relevância na “nuvem de tags” é “Dudutraíra”. Há referências também a ex-senadora Marina Silva, que compõe a chapa com Campos. “Marina Petista” é outra palavra-chave que trata do passado político dela. Por outro lado, a influência de Eduardo Campos no seu estado natal é algo que ainda reflete também nas redes sociais. O termo que teve mais destaque em tweets que citam o político é “Pernambuco”.

Nuvem de tags sobre o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos
CartaCapital