Você está aqui: Página Inicial / Política / Tropas de ocupação

Política

Brasília

Tropas de ocupação

por Leandro Fortes — publicado 15/09/2011 19h00, última modificação 16/09/2011 11h51
Nas 48 horas que antecederam a troca de Pedro Novais por Gastão Vieira no Turismo, alas do PMDB se digladiaram em chantagem mútua. Sarney venceu outra

As notícias de que o ministro do Turismo, Pedro Novais, valeu-se nos tempos de deputado federal de verbas parlamentares para bancar luxos privados como uma governanta serviu apenas como a gota d’água. Talvez o mais ancião dos integrantes da poderosa armada a serviço do senador José Sarney, Novais era um peso morto que a presidenta Dilma Rousseff não via a hora de depositar em algum lugar bem longe da Esplanada dos Ministérios. O problema era achar um motivo que lhe permitisse mandar o velhinho para casa sem ferir suscetibilidades no seu principal aliado.

Mas a tal governabilidade é mais complicada do que pode imaginar a vã filosofia. Dilma livrou-se de um afilhado, mas não do padrinho. No fim das contas das 48 horas em que o PMDB travou mais uma luta intestina pelo poder, com direito a ameaças de dossiê e tudo, Sarney manteve seu poder intacto. Saiu o maranhense Novais, assumiu o maranhense Gastão Vieira, outro fiel escudeiro da família do presidente do Congresso. Oligarca é oligarca.

A troca de guarda no Turismo é, porém, uma aula de como se faz um ministro no Brasil atual, principalmente se a vaga pertencer ao PMDB. Os detalhes desse modus operandi estão justamente na cronologia da crise que resultou na demissão de Novais, uma operação política de emergência que, entre idas e vindas ao Palácio do Planalto, demonstrou ser um jogo pesado dentro do PMDB, que incluiu, num espaço de 48 horas, dossiês de denúncias preparados por facções internas, intrigas, rasteiras e a intervenção da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na tentativa de barrar a nomeação de gente suspeita para o cargo. No fim das contas, além da manutenção da cota de Sarney, o que sempre é uma janela aberta a novos “sobressaltos”, prevaleceu a vontade de outros dois poderosos peemedebistas: o deputado federal Henrique Eduardo Alves, líder da legenda na Câmara, e o vice-presidente Michel Temer.*

*Leia a íntegra da matéria na edição 664 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 16

registrado em: