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Toninho do PT, assassinado

por Celso Marcondes — publicado 02/02/2009 17h01, última modificação 23/08/2010 17h02
Estão reabertas as investigações sobre o assassinato do ex-prefeito de Campinas, Toninho Costa Santos, ocorrido em 2001. A decisão foi tomada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, nesta terça-feira.

Estão reabertas as investigações sobre o assassinato do ex-prefeito de Campinas, Toninho Costa Santos, ocorrido em 2001. A decisão foi tomada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, nesta terça-feira.

Para quem não se lembra da história, Toninho morreu alvejado por três tiros, numa noite de setembro, quando dirigia seu carro. Em 2002, o Ministério Público e a polícia apuraram que o prefeito teria atrapalhado a fuga de um conhecido bandido e sua quadrilha. Andinho, o tal bandido, está preso desde então e sempre negou à Justiça a sua relação com o crime. Seus três supostos comparsas morreram em ações policiais.

Roseane Garcia, viúva de Toninho, jamais aceitou este veredito. Agora, comemora. O Ministério Público pode recorrer da sentença junto ao STJ.

Espero que isso não aconteça e que a polícia de Campinas abra logo um novo inquérito.

Conheci muito bem o Toninho. Ele era capaz de dispensar motoristas e seguranças e todas as mordomias inerentes ao cargo. Como também foi capaz, em seu curto governo, de contrariar muitos grupos de interesses escusos na cidade. Esquemas e máfias incrustadas nos serviços públicos de transporte, habitação, limpeza e construção – só para citar os mais óbvios. A maioria da população de Campinas gostava de Toninho e a cidade parou no dia do seu enterro. Mas a maioria dos grupos ilícitos não tinha qualquer apreço por ele.

Não conheço nenhuma história de político que tenha levado bala por “atrapalhar a fuga” de facínoras. Nem na vida real, nem dos filmes de Hollywood que assisto às pencas. Mas conheço muitas histórias reais e cinematográficas que falam de queimas de arquivos ou de eliminação de adversários políticos. Vai daí que jamais engoli aquele desfecho para o desaparecimento do meu amigo. Aliás, de lá para cá, e já se passaram sete anos, jamais tomei conhecimento de qualquer caso semelhante. Minha limitada inteligência se recusa a admitir uma situação que coloque uma autoridade levando tiros por atravancar o trânsito.

O juiz José Henrique Torres também pensou assim, não aceitando a denúncia contra Andinho, alegando “falta de indícios”.

O caso está reaberto. O caminho fácil de eleger um bode expiatório e arquivar o assunto parece que encontrou um obstáculo sério.

Com a palavra, nossos leitores, em especial os de Campinas.